Pular para o conteúdo principal

Declaração


Confesso, declaro para os devidos fins. Estou dependente.
Eu até tentei fugir, resisti, relutei.
Tudo em vão.
Ele me ofereceu pela primeira vez. Tudo foi ele.
Falou que era bom, que eu deveria tentar.
Mais uma vez.
Quando eu me arrisquei, ele me deu força. Disse que era exatamente assim.
Eu não tive culpa. juro.
Entrei nesse mundo sem conhecer nada, sem sequer saber os efeitos futuros.
Aliás, não existem efeitos prévios. Todos são póstumos mesmo.
Aí, a cada vez que eu tento novamente, ele aparece.
Parece que sabe.
E lê as coisas que eu escrevo, quase em primeira mão.
Aliás, acho que ele é o meu único leitor assíduo.
Nome de poeta, conhece tão bem o traçar das letras !!!!
Sem contar que em algum lugar, somos irmãos. Nomes invertidos, desejos díspares, como devem ter os irmãos. Calhou de sermos colegas de profissão. E calhou de eu me apaixonar pelos escritos dele. E, sendo mais velha, me sinto como uma caçula afagada, aprovada a cada recadinho que ele deixa aqui neste meu território.
Não bastasse, meu primeiro fruto tem o mesmo nome dele. Hoje eu sinto tanto, tanto orgulho de chamar meu pequeno e estar ao mesmo tempo, evocando nossa amizade....
E que se revoguem as disposições em contrário.

Comentários

Anônimo disse…
Leio mesmo! Mas vou ficar anônimo por aqui para não parecer cabotino!Te amo muito.
Germana Accioly disse…
você não existe mesmo. te adoro!!!!

Postagens mais visitadas deste blog

A teimosia do amor

Que alegria estar aqui com tanta gente importante nas nossas vidas!

Que alegria reunir todas e todos neste cenário tão lindo e significativo, construído com amor, partilhado por tantos e tantas de nós. Acredito que muitos e muitas aqui têm histórias pra contar que viveram nesta casa, neste jardim.

Quem está aqui pela primeira vez, seja bem vindo e bem vinda à vivenda Tesser, mais que uma casa, um endereço de acolhimento, que muito me diz sobre generosidade e acolhida.

Paula e Luana, que emoção, que gratidão, que imensidão ver vocês duas aqui na minha frente, mãos dadas, olhos brilhando!

A Paula é para mim uma dessas pessoas fundamentais na vida. Fundamental para a minha alegria, fundamental para o meu futuro. Quis esta mesma vida que, vindas de uma mesma família, ainda com toda esta identificação, tivéssemos morado apenas 8 meses na mesma cidade nesses 40 anos mais ou menos que nos conhecemos.

Paulinha, minha prima virou irmã, minha prima gêmea, como costumamos nos chamar. Talvez a m…

Poligamia

Casei umas 15 vezes nos últimos anos. Talvez tenha sido mais.   A primeira vez casei com os olhos. Olhei, apaixonei, casei. Bodas de papel. Na segunda vez decidi formalizar. Um casamento coletivo, no cartório. Tinha gente de todo tipo junto. Bodas de algodão. O casamento seguinte foi na igreja. Trocamos as alianças num ritual singelo. O primeiro filho nos braços. Bodas de trigo. As bodas de flores foram com um homem trabalhador, pensava no bem estar da família. Compramos o apartamento. Depois, me surgiu um homem mais maduro, mais leve. Gostava de sair à noite, de viajar. Bodas de madeira. Com as bodas de açúcar ganhei meu segundo filho. Doce, alma de artista, olhos curiosos. Igual ao pai. Bodas de latão para os tempos difíceis, bodas de barro para o artesão. Amei o jardineiro, fui amante do menino.Do puro. Do macho. As frágeis bodas de papoula me trouxeram um homem inseguro. Amei. Buscando firmeza, encarei as bodas de zinco. Depois de aço. Esbarrei na beleza do ônix. No tempo do …

Mulher Maravilha em primeiro lugar

A ideia era fazer um diário de bordo. Um registro de tudo o que vivemos na viagem de mulheres ao Sertão do Pajeú. Queria voltar ao trabalho com um relato fidedigno. Cartesiano. Celulares carregados, procurando o melhor ângulo para fotos e vídeos. Não consegui. O foco estava no sentir. Estava no viver e não no relatar. Não consegui. Foi uma daquelas viagens em que a gente esquece o telefone, abandona a internet. Estava conectada com outras ondas. Não perdi os momentos, como alguém pode pontuar. Guardei todos. Fiz questão de não enxergar através das lentes. Viagem longa, estrada reta, são ótimos bálsamos. Para curar agonias da rotina massacrante. Pra pensar melhor sobre a vida e para chegar ao destino de peito aberto, um pouco esvaziado do que nos atropela no dia a dia. Fui. Às cinco da manhã fiz uns sanduíches e coloquei tudo na bolsinha térmica que comprei na revista da natura. Nunca tinha usado. Fiz uns sandubas de queijo e pesto. Pão baguete. Dividi em quatro. Outras coisitas qu…