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Ninho


A gente saiu pra comprar um carro e acabou comprando um apartamento. Naqueles tempos, velhos tempos, nossa coragem era muito, muito maior do que a consciência de que deveríamos poupar, juntar, planejar.... compramos e pronto. Compramos e ponto.
As prestações mensais eram nada mais nada menos do que nosso salário junto!
E a nossa inocência foi tratando da vida. Nossos anjos da guarda devem ter trabalhado muito pra garantir que a gente realmente conseguisse honrar os compromissos.
O primeiro rebento já estava lá. Boquinha aberta, feito passarinho, esperando alimento.
Logo, veio o segundo pro ninho. E a família, naquele segundo andar, ia vivendo.
Portas arrancadas viraram estantes,
Cabos de vassouras, guarda-roupas.
Criatividade, criatividade.
Muito espaço pras crianças aprenderem a andar. Poucos móveis.
E os anjos da guarda, coitados, sem férias.
Era quadro vendido na véspera da intercalada, convite pra trabalho no mês das chaves....
FELICIDADE.
Hoje ele deixou de ser nosso.
Mudamos pra outro ninho, com nossos filhotes já batendo asas muito fortes.
Durante todo o dia, nenhum tipo de melancolia me veio à mente.
Mas agora, perdoem-me.
Senti falta do momento de improviso da minha vida.
Tínhamos um fusquinha verde-água. Saímos pra trocar o bichinho e acabamos comprando um ninho...

Comentários

Antonio Ximenes disse…
Germana.

A vida é assim.
A gente planeja e acaba encontrando outro caminho e replaneja... rs

Toda mudança é difícil... mas necessária.

Abração pra Mamãe-Passarinho.
Mack disse…
A história já é linda por si só. E contada assim, então! É emoção pura. Igual você ficou esses dias...

Não deve ser fácil largar o ninho, nem colocar os passarinhos-rebentos pra voar. Tantas mudanças! Mas você fica, e cada dia mais forte!

Beijo!

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