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O céu daqui



Queridos amigos de longe,

Por aqui, já consigo deixar no pendura uma escova que faço no cabelo, ou o trabalho da manicure.
Também já recebo alguns sorrisos da moça que é caixa na padaria.
O motorista do ônibus de manhã já abre a porta na parada com um sonoro Bom Dia.
O japonês da mercearia na quadra de baixo não me deixa mais pegar peso. Sempre me ajuda com as compras da semana.
Bom sinal, não?
No início, estas mesmas caras eram tão impessoais que às vezes eu brincava de estar morando numa terra de andróides. Era a minha fantasia pra não entrar em parafuso.
Mas não é isso não, meus amigos. Com o tempo eu fui compreendendo.
É que este povo que veio parar aqui, na sua maioria, tem suas raízes longe, longe e devem ter aprendido a se defender do preconceito fechando a cara. A cabeleireira é do Cariri cearense. A manicure veio do Piauí. O motorista de ônibus veio do Norte. O japonês da mercearia, obviamente, veio do Japão.
O céu daqui é mesmo de um azul especial como dizem.
Eu me sinto contemplada com o por do sol que enrubesce as nuvens lá pelas cinco da tarde.
A lua cheia parece maior e mais viva neste Planalto. Penso que ela é mais feliz aqui por não competir com uma profusão de arranha-céus.
Mas não mudei, acreditem. Ainda adoro barulho de gente dentro de casa, gosto de acordar cedo e tomar café da manhã com os meninos. Eles é que têm acordado cada vez mais tarde....
No bar preferido, um árabe tradicional daqui, quando passamos muito tempo sem aparecer, o garçom ( que é de Sobral, no Ceará) pergunta:
-Estavam passando uns tempos na terrinha????
É isso.
Espero vocês todos por aqui.
Se tem uma coisa que falta nesta terra são meus amigos.

Comentários

Maíra Brito disse…
Oi, Germana!
me encontrei nas suas palavras. de certa forma, aqui já é minha casa. mesmo q eu ainda não tenha experimentado tanto como vc, pois ou mais arisca e mais distraída.
esse céu daqui me faz muito bem. as manhãs ensolaradas me confortam da saudade das pessoas do Recife.
ainda bem q vamos aprendendo a viver, em todas as circunstâncias, né?
bjosss
Germana Accioly disse…
=Maíra, eu acho que sou meio atiradinha mesmo, tenho esta necessidade de fazer laços, sabe? aliás, a gente ainda não se encontrou, né???
= Primo, vc sempre esteve aqui.....

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