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Mostrando postagens de Agosto, 2010

Desejo vão

Alguém disse um dia que o segredo da vida está nas portas.
As portas que se abrem, surpreendentes.
As portas que se fecham, misteriosas.
Não são as chaves, os segredos.
Nem mesmo são a chave dos segredos.
Viver é correr perigo.
Colocar a mão nas maçanetas
Abrir para novas paisagens
Fechá-las a cadeado.
Deixá-las entreabertas, espreitando pelas brechas.

E quando o vento, primo do acaso, invade nosso jardim,
ele mesmo alternando esta composição,
ensina que não há mais portas ou muros.
Ou sequer houve, se não em nossa vontade.
Desejos, vão.

no centro do mundo

saio pela rua e sinto o cheiro morno da vida. rolam pelas calçadas minhas saudades
e as dos meus conterrâneos.
penso que somente assim se explica o esgoto que insiste em
circular pelas vielas estreitas.
Suporta-se o cheiro insuportável por conta dos sentimentos.

Na mesa do bar central eu encontro poetas apaixonados, cineastas surtados, mulheres encantadas.
São todos peças do meu xadrez. Recito poemas e invejo seu autor. Desejo superá-lo quando os recito.
Mais um copo, por favor....

e a vida se engana.
e eu mando uma mensagem de amor, e eu falo sinceramente do superficial.

sinto-me turista em casa, no telhado colonial que me abriga.

chove no frontal e o central entope de gente. vou junto.
mais um copo, por favor.....

meu tempo passa junto com o dos outros. mas no íntimo acredito que para todos, no íntimo de cada um, o tempo é um referencial inútil.
pra que o tempo quando se busca a vida?
pra que a vida quando o tempo se mostra?
e se mostra, pra quê?????