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Mostrando postagens de Outubro, 2011

Relicário

Móveis antigos não contam histórias.... Tem gente que pensa assim.
Eu não. Tanto que eu vivia no pé da máquina de costura Singer da minha avó.
Olhava aquela agulha que ia e vinha, movida pelo pé da minha costureira particular.
Na minha cabeça, a boca da maquina (a agulha) dublava as histórias que a minha avó contava, que nem nos filmes da sessão da tarde.
Ela ia falando e eu ia olhando ali pra máquina que engolia pano. Ás vezes minha avó parava de usar a máquina, fazia qualquer coisa à mão, e eu achava que perdia a graça.
Minha avó se assustava, porque todos os netos corriam, brincavam, ia pra rua, caiam da bicicleta... e eu, pra ela, era uma menina quietinha, sempre à beira da máquina, esperando a hora de provar o novo modelo.
“Roupa nova de dono velho”, ela dizia, reformando as roupas das minhas tias pra mim.
Que nada! Eu ficava ali dando nome àquela engrenagem. Às vezes, era minha avó mesmo. Podia ser também a bruxa da Branca de Neve. Pensava também que a “boca da máquina” e…

sem título 2, 2011

Tem um texto na ponta da minha cabeça, como se fosse na ponta da língua.
Ele vem, chega, insinua sua presença e depois, engraçadinho, vai embora.
E eu começo: “despertador de sol, levantador de lua”...
E o texto nada me diz.
Apago.
E eu continuo insistindo neste vício de me fazer entender.
“o moço segue pelo caminho denso”.
Palavras escolhidas, lindas...sem sentido. Caminho denso de que?
Floresta Amazônica, talvez..... chão de massapé molhado, mangue...
A conclusão é simples.
Não há nada a dizer. Por isso, nada que escrevo parece ter sentido.
Não é, tampouco, crise de criatividade.
Estou seca. Vazia.
O mundo girando numa velocidade de fórmula 1.
E eu parada, pareço um personagem dos desenhos animados mangai.
Queria palavras dispersas, descuidadas, pequenas, sem compromisso.
Queria imagens que me remetessem a um mundo inventivo.
Estou à beira de mim mesma, prestes a estabelecer contato.

Outubro

Outubro sempre chega com bons ventos pra mim.
Ares de renovação.
Pelo menos desde que ele me chegou feito um presente.
Um presente desejado, amado... um tesouro.
Outubro.
A palavra me soava dura, forte, austera. Achava abril, maio e junho meses mais simpáticos, confesso.
Me pareciam severos os meses do fim do ano, acumulando o cansaço de todo um ciclo, obstáculos antes das férias. E tudo terminava em BRO.... Setembro, outubro, novembro.... Outubro.
Antes dele, outubro me lembrava outono, folhas secas, tons pasteis. Outubro.
Vi nascerem flores entre suas vogais, adornando e colorindo meus dias. Ele era promessa de novembro.
Mas outubro o quis.
E assim, dia 11, chegou.
Me trouxe de presente o maior amor do mundo. Me veio como uma bênção, uma grande escola de vida, uma dádiva.
Outubro virou poesia.
E desde então, há 17 anos meu ritual se repete.
Chegou outubro, já estou te esperando.
No dia 11 você se renova.
E foi assim que eu virei mãe.