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Mostrando postagens de Fevereiro, 2013

Tanta Tinta!

As mãos estavam atoladas de tinta.
O sorriso nem se continha.
Era involuntário. Sistema parassimpático. O tempo era acessório, passava despercebido, levado pelo vento marítimo de Olinda. Quem vive no mar não percebe o cheiro do salgado, entranhado, da maresia.
 Ali, no clube que tem o nome do oceano, éramos serem marinhos. Sereia e pescador. Marinheiro e Iara. A tinta desceu até os pés. Era um baião inocente, amassando o colorido imenso. O balé impreciso foi lapso para o tempo. Homenagem à vida, ao Pezão, aos olhos dela. Ninguém se conhecia, ali. Ninguém disse muito prazer. O mágico acabou sem uma troca de telefone. Sem dizer adeus. Se fosse só aquilo, já seria digno de entrar para o mistério da vida. Mais eis que se passaram 20 anos.

Ana Luiza

Tenho uma flor rara.
Uma flor de inverno e verão.
Uma flor que nunca fecha.
Um presente maior, de amor.
Uma bonequinha na infância, minha companhia de todas as horas.
Hoje, iguais e diferentes em tantos e tantos caminhos, não sei viver sem sentir seu perfume.
Minha nega, minha caçula, meu norte.
Seu nome eu escolhi.
E nós nos escolhemos.

Carnatal

Eu sempre disse, desde muito cedo. Carnaval é meu natal. 
É quando sinto nas pessoas aquele sentimento de congraçamento que deveria haver no final de ano. é quando qualquer pluma vira uma fantasia imensa, é quando os shoppings se esvaziam e as ruas se enchem, as janelas das casas se abrem.
No natal se enfeitam os prédios. No carnaval, as pessoas. 
Este ano, assim, sem pretensão, minha fantasia se fez. 
O rei momo é o meu papai noel. E ele ontem me deu de presente um bloco inteiro. Uma troça. 
Uma troça de carnaval bateu na minha porta. Bateu na glória. E o meu sonho foi tão sonhado que hoje de manhã os vizinhos estavam me agradecendo pela felicidade que provocamos na rua inteira.
Então, um sonho que se sonha sozinho é só um sonho, como dizia o poeta Pessoa. Mas ontem foi realidade. Sonho sonhado junto. Ou pulado, frevado, delirado...
A troça veio igualzinha como nos meus sonhos. Poesia, mas frevo rasgado. No estandarte, as cores e formas do meu amor. 
Aliás, não existe carnaval sem a…