sexta-feira, 19 de abril de 2013

#Abusada





Somente uma pobre coitada ingênua teria acreditado novamente naquela situação.
Dá até pra se vangloriar. 
Pouquíssimas pessoas no mundo inteiro, nestes seis ou um pouco mais bilhões de pessoas teriam  a mesma capacidade.
Praticamente uma mutação genética.
Ela faz parte de uma elite. A elite dos crédulos.
Não conseguiu matar a Poliana dentro de si. 
Nem a Poliana Moça. 
Talvez tenha traços irreversíveis do Pequeno Príncipe. 
E de Fernão Campelo Gaivota.
Ainda bem que nunca leu Paulo Coelho.
Seria o golpe final, sem volta ao mundo real.
Araruta tem seu dia de mingau. Já tava em tempo de colocar as barbas de molho. E Gato escaldado normalmente tem medo de água fria.
Ela não. Ignorou tudo. E a sabedoria popular agora gritava dentro da cabeça.
Mais uma cabeçada da vida pra entender que tem hora que é preciso ter amor próprio. 
E desconfiômetro.
Nada mudou.
Aliás, mudou.
Ficou pior. 

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Conversa de irmã


- “Fito-te - E o teu silêncio é uma cegueira minha". (Fernando Pessoa)
- Vou explodir com esta frase. Sabe isso? Vou escrever isso também. Cacilda!
- Te amo.
- Moi aussi. Love you. Agora queria ardentemente ser poeta.
- E eu!!!!!!! Esse é o sonho.
- No meu caso, é necessidade.
- Você foi poeta agora!
- Foi mesmo.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Namorado Duty Free


Cansou de procurar a outra metade da laranja em português.
Já tinha ido aos quatro cantos.
Na chapada, encontrou um paulista neurótico.
No Recife, um candidato a Peter Pan.
O vizinho japa era gostosinho.Mas muito tímido.
Tinha um cara até legal no curso de roteiro que ela fazia uma vez por semana. Muito vaidoso.
Quando começava a falar, era pra se lascar.
Já tinha morado no Nordeste, arriscou Brasília, estava de volta à pauliceia desvairada.
Os Nordestinos, muito machos.
Os Brasilienses, muito quadrados.
Os Paulistas  não queriam mulheres de 40. Trocavam por duas de 20.
Uma vez ficou presa num elevador em plena passagem de ano com um outro que sequer sabia olhar no olho. Dispensou.
Pensou: o problema é comigo.
Fez plástica. Preenchimento dos lábios. Comissão de frente nova.
Pilates três vezes por semana.
Os 40 e tantos na pista de corrida.
E nada.
Depilação em dia. Cremes dentro da validade na farmacinha do banheiro. Leitura atualizada.
Um dia comprou uma passagem pro Chile. Uma amiga tinha um contato por lá.
Um arquiteto também dos seus quarenta e poucos, solitário.
Sabia pouco dele. Uma casa em reforma, batizada de Saravejo.
Um pouco do que conseguiu captar via Skype.
Malas prontas, passou pelo Duty Free.
A semana foi santa.
Na mala de volta trouxe uma história de amor. Daquelas quentes.
Não declarou na alfândega a outra metade da laranja. Valia muito mais do que o permitido.
E se tem laranja Bahia sendo produzida no Chile, é bom ir até lá saber o que é que o chileno tem.
E os brasileiros precisam aprender....

sem título, 2013



Não quero um texto novo, brilhando de frescor.

Não quero um texto sem rasuras, ou sem repetições.

Quero um texto tinindo de vida aberta por todos os lados.

Um texto que me comova pela verdade, não pela métrica.

Um texto que me envolva pela maturidade, não pela técnica.

Que agrade a poucos, que tenha sido escrito por muitos.

Muitas referências, muitas passagens.

Uma vitamina batida no liquidificador da existência.

Não quero mais frufrus, arrodeios, embolações.

Meu desejo é tão somente a felicidade.

Tem uma palavra que tudo resume, Tudo explica e preenche os espaços. Uma palavra que ilustra e liga. Religa. Existem laços que são p...