Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de Agosto, 2013
Hoje de manhã o botão de uma das nossas orquídeas do jardim acordou quase em flor. Olhei para aquele espetáculo da natureza e senti como se testemunhasse um parto. O abrir de uma flor é um parto. Lento. Delicado. Invariavelmente ímpar.
Não deixa de ser lindo. Mas, olhando bem para minha orquídea, me senti solidária. Ela está prestes a parir. Prestes a explodir em vida. Vou me deliciar com suas pétalas, me orgulhar que nasceram no meu jardim. Vou pedir emprestada sua beleza pra mim.

É assim no meu jardim, é assim pela vida afora. Pequenas porções de felicidade vem. Enlatadas, engarrafadas, embrulhadas em sorrisos, escondidas em abraços.

Baião de dois à Lindalva

No Ceará cuscuz é pão de milho. Lanchar é merendar. Paçoca é de carne de charque. No lugar da feijoada, baião de dois. Com queijo coalho dentro. Banana como acompanhamento. Eu sou a primeira pernambucana da família. Vivi no Recife a vida toda, mas era no Ceará que passava as férias. Nada de praia ou cinema. isso tinha aqui no Recife.
Minhas férias eram no depósito de material de construção do meu avô materno Zeca. Ele e vovó Lindalva formavam uma família de verdade. Tudo muito simples. Nossa brincadeira era no fundo do quintal. Às vezes eu subia na carroça do burro pra ir entregar areia, cimento... Mas, para as meninas, a graça eram as panelinhas de barro que minha avó separava pra gente fazer os tais guizados. No Ceará, guizado é brincadeira de menina na cozinha.
Vovó era quieta, reservada. Mas ia lá pro fundo do quintal cozinhar com a gente. Tudo era muito sério. Fazer o fogo. Cortar as bananas em rodelas. Colocar a água e o açúcar e esperar ficar pronto. O doce demorava uma vida…

Dia dos pais.

Nunca é tarde pra resgatar sentimentos e reviver momentos inesquecíveis. Eles têm cheiro, trilha sonora, paisagem e cenário.  Hoje me veio da infância um cheiro de mato. Veio de longe!
Eu e meu pai.
Eu menina, ficava atrás dele enquanto ele cuidava do jardim, cultivava as plantas. Eu falava sem parar. Ele ouvia, respondia, corrigia, ponderava, concordava... Ao final, sempre tínhamos nosso jogo de damas. Não qualquer jogo de damas. Era o tabuleiro que ele me deu de presente quando fiz 10 anos. Lembro que ele colou, um a um, um pequeno feltro embaixo de cada pecinha pra não arranhar o tabuleiro.
Esse cuidado eu trouxe para a vida inteira. Guardei o tabuleiro como um camafeu, um patuá. Meus filhos brincaram nele. Ensinei a jogar damas, ensinei a jogar o “perde e ganha”.
Trinta anos depois tivemos, eu e mei pai, a oportunidade "reexperimentar" esta vivência. Andamos pela mata, paramos no pequeno córrego, cozinhei pra ele, conversamos pela noite afora. Um resgate. Foram dias de lembrança…

A verdade é revolucionária.

Estou no sexto andar de um prédio, numa ilha.  De buzinas. De Sirenes. De stresses. Estou na sala 601 de um prédio sem charme.  Estou refugiada. Não me agradam os móveis puídos, não me apetecem as persianas, ou a paisagem volante de mosaicos vermelhos e brancos que piscam conforme os freios. Mas muito me agrada a solidão.  Que arruma as gavetas dos sentimentos, que ordena as dores. Hoje foi um dia cheio. Um parto. Pari um filho hoje. Sentada aqui, sozinha neste pardieiro, sinto minhas forças voltando. E me vem o amor que é o amor de mãe. A verdade que é ser mãe. A revolução. Sigo o olhar sobre meu filho e desejo um abraço perpétuo. Um afago obedece a alma. Hoje eu pari meu filho de 15 anos. Pari para a vida. Foi tão difícil arrancar este menino com o olhar naif de dentro de mim! Foi tão intenso admitir que ele não cabe mais no meu ventre, que ele cresceu! E, no entanto, sinto o quanto fizemos bem um ao outro. O telefone toca e é ele. "Vou fazer diferente agora”, confessa. Vai, s…