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Mostrando postagens de Julho, 2014

A chuva que leva

Quando a chuva caiu, já foi avisando. 
Bateu nos telhados que nem pedra.
As casas estremeceram. Era uma chuva raivosa. 
Quando vem assim, tem recado pra dar. Ou tem missão a cumprir. Caiu sobre o Recife escurecendo a tarde. 
Esvaziou as ruas. Fez-se o luto. 
A água lavava e chorava a cidade. 
A tempestade leva e transforma. A vida é um fio. 
Antes do rádio e da internet, os ventos já tinham anunciado. 
A água levou pros céus um mestre. Um sertanejo. Um forte. 
Evaporou seu suspiro final. E mesmo quem jamais leu um livro dele, ou viu uma peça, vestiu nos olhos a tristeza. 
A mulher vestida de sol cobriu-se de chuva.

Você não soube me amar!!!!

Pronto. Disse. E não soube mesmo. Tava na praça do jacaré, em Olinda, quando subi no ônibus, Encontrei meu irmão. Ator, o talento da vez. Ele estava sentado ao lado de uma mulher nariguda. Achei estranho. Agora o susto mesmo que eu tomei foi quando olhei pro lado da exemplar de Pinóquio.
Gelei.
ERA ELEEEEE!!!!
Meu irmão 8 anos mais velho, ainda me achava uma pirralha. E sabia da minha loucura pelo grupo musical dele. Eu era obcecada. Sabia até quando ele respirava no disco. Cortei o cabelo igual a uma das meninas da banda. Passava horas olhando as letrinhas e os desenhos do disco.... Era cover. Pronto. Disse. Dublava a banda em festinhas e no grêmio do colégio. Vestia aquelas roupas fluorescentes.
Era era a própria.
Aí, de repente, como é que eu encontro o meu ídolo dentro de um Ônibus da linha Pau Amarelo? Ainda mais eu de uniforme escolar?
O meu cantor preferido me olhou e acho que me viu menor ainda do que o meu irmão me via. Me convidou pra sentar no colo, porque o ônibus estava lotado.