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Mostrando postagens de Agosto, 2014

O tamanho das coisas

A preguiça do domingo veio densa.
Sempre que não sei o que dizer, saio com a seguinte frase feita: "a vida é maior que tudo isso".
Percebi esta semana. Realmente a vida é. E eu tenho este caco quando não tenho o texto na ponta da língua.  E a morosidade do domingo veio tronxa.  Uma semana de visitas e permanências no hospital. Olho pra minha mãe e percebo o tempo passando. O tempo que é maior que a vida.  O domingo chega com o balão de oxigênio.  Em casa, chegando pra dormir depois de noites em claro, não encontro o nosso gato. Motor.  Um ano atrás exatamente ele era um filhote  que encontramos dentro do motor do carro. O tempo levou motor e eu nem sei pra onde... Nem como... Nem quem.  A vida deve ser maior que tudo isso. E se ele encheu o saco da casa? Do piano? Da vida cotidiana quadrada?  E se ele ainda volta?  Encontro na minha cabeça cansada uma semelhança entre estar com minha mãe no hospital e não estar com motor.  É o amor. Tudo  o que eu se faz assim tem uma ligaçã…

Abelardo e eu.

Abelardo e eu.

Visitei a casa de Abelardo umas duas vezes na vida. Rinaldo Silva era o convidado.
Eu, uma mosquinha que curtia cada pequeno minuto ao lado daquele monstro da arte. 

O trabalho de Abelardo faz parte das minhas imagens de criança. Anos depois, estou eu na casa-ateliê do mestre, na Rua do Sossego.

Encantada. Vivendo uma fábula.

De repente, chega Abelardo e me convida: quer sentar na minha escultura? 
Era uma mulher nua, deitada. Eu sentei meio assim sem jeito, na pontinha.
Sentar na obra de arte... estava muito maravilhada.
Aí, talvez percebendo minha saia justa, ele atalhou: encosta a cabeça nos peitos dela. é uma delícia!!!!

Aceitei o convite. Fiquei lá por um bom tempo aproveitando esta dávida da vida.

Abelardo da Hora sabe tudo!