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Baobá

Eu sonho em ser o Baobá da Praça da República.
Impávido. Imponente. Sereno.
Inatingível e sobrevivente.
Eu quero ser o Baobá. Ser a raiz, seu tronco imenso e solitário.
Meus galhos para o céu adornam o azul, quando sol.
Abrigam os pingos do cinza.
Sou um baobá.
Tenho certeza.
Passo pela praça da república e desejo imensamente ser a árvore forte.
Estou quase sendo um baobá.
O imenso vazio que há dentro de cada um é como meu coração.
Estar vazio não é de todo ruim.
Antes vazio que cheio de dor.
Desejo ser o baobá que não cede às chuvas, que não curva diante da tempestade.
Na minha pretensão, desejo. Rogo. Imploro.
Por esta placidez. Por esta imensa vida soberana.
Qual nada!
Não passo de uma erva daninha que, simbiótica, fofoca embaixo da sua sombra com raízes superficiais.
Sou a pequena folha que cai no final da tarde e flana pelos jardins ao sabor do vento.
E, pequena que sou, sonho grande.
Sim, quem sabe um dia, serei um baobá....



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