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O permanente.







Nunca mais fui a mesma.
Não que não seja eu. Sou mais eu que nunca.
Mas, nunca mais fui a mesma.
Atravessar a rua ou dar um mergulho no mar aberto passaram a ter outro significado.
Não era mais eu sozinha. Era eu e um mundo inteiro de possibilidades, opções e oportunidades. De amar e de escolhas. Era eu com dois corações batendo em mim.
Era eu com 22 anos. E você esperando pra nascer.
Dizem que hoje o tempo passa mais rápido. Dizem que isso é física quântica. E que um dia a gente vai viajar no tempo.
Eu cá comigo tenho o palpite que o tempo não passa. Se acumula, que nem areia nas portas das casas nas dunas. Que nem água em ralo entupido.
O meu tempo, pelo menos, é assim. Sou capaz de sentir cada frame dele.
Talvez porque este amor seja física quântica. Como é que um projetinho de gente pode ser maior que um adulto? Como é que, saindo de mim, fica mais forte que eu? Como é, finalmente, que este sentimento não gasta com o tempo? E como é que o finalmente nunca chega ao fim?
Hoje eu sentei na mesa do jantar contigo e todos nós. Nós 4. Eu já disse um tempo: somos como os pontos cardeais. Somos diferentes, antagônicos às vezes, e somos referências.
Então, na mesa do jantar, você na minha frente, o bolo de chocolate e café ainda morno (e meio tronxo), feito pelas minhas mãos...
Eu e a teimosia de continuar querendo reunir todo mundo em torno da mesa!
Você à minha frente e o tempo se avolumando na porta. Você à minha frente e eu pensando: você, 22. Eu, 44.
Hoje fecha-se este ciclo. Você tem 22 anos. Viveu o tempo que eu vivi até te conhecer.
A gente chegou.  E eu hoje sou mais eu que nunca.

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