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Mostrando postagens de Março, 2017

liquidando a Fatura

Cancelei o cartão de crédito. 
Pra não viver de véspera, pra aprender a ser hoje o sempre.
Pra não depositar afeto na tarjeta de plástico, 
Pra não dividir as pequenas alegrias em 10 vezes sem juros. 
Cancelei o cartão de crédito.
Não tenho mais compras virtuais, 
Negócios internacionais, 
Sonhos impossíveis que o meu limite podia comprar.
Minha felicidade não paga mais juros, 
Nem refinancio os momentos.
A minha anuidade sou eu.
A minha fatura é a minha escolha de vida. 
A bandeira que eu levanto agora é a que eu acredito
Viver com o que posso e sou não tem preço.

Sororidade

A alma anda pesada. Encharcada. Roupa que se lavou e esqueceu de espremer . A alma pinga, pendurada num desconfortável varal. Fica ali, suspensa, chorando até secar. Tudo é o tempo. Tudo é o vento. Tudo é o sol. E o sereno. Um murmúrio triste ressoa no peito.   Reclama, resmunga. A lembrança da vida no vidro. Ambiente estéril, álcool 70%, e o parto frio. Um beijo final, cena de dor que a alma absorveu.

Maturi

Meu maturi quer cair do pé. E eu digo: cai não, maturi .Espera um pouco mais, aproveita a sombra, a seiva, a certeza do tronco.
Meu maturi quer cair do pé. E eu digo: vai chegar a hora, maturi. Vai chegar o tempo inevitável. E você cai doce, cai pronto.

Meu maturi quer cair do pé. Tá faltando uma peinha de nada....
E o maturi olha o imenso mundo azul, a imensa terra preta.
Cresce, pesa no galho, se enche de orgulho e ensaia o primeiro salto.

A seiva pinga do galho.

Rolou meu maturi.

Nem mais maturi....

Caiu na sombra da sua árvore.

Caiu inchado, caiu quase, quase pronto.

Não é mais maturi.