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Mostrando postagens de Maio, 2017

eu, transparente.

eu ando muito clarice lispector. uma clarice ambulante. perambulando pelas ruas do recife mascate. tudo em letra minúscula, porque nada é mais importante que nada. nada é menos revelante que tudo. eu ando me sentindo tanto!. às vésperas dos 45 anos, me sinto mais menina do que nunca. e mais mulher do que sempre. como se retirasse todo o sumo de uma laranja e bebesse puro, sem água, com seus travos e bagos. como se comesse a laranja inteira, sentindo suas sutis nuances. clarice andou pelas ruas que eu ando. clarice viu meu cenário, já foi minha vizinha, em tempos desencontrados. ando pelas pedras e buracos da cidade, vejo nos rostos das pessoas um pouco da história. a rua fala. os carrinhos de fruta concentrados na praça maciel pinheiro dialogam com os moradores de rua que ali tomam banho. eu passo transparente por eles. outro dia estava justamente ali, cheia de sacolas nas mãos, quando um grupo de meninos impregnados de cola passaram por mim. eram uns 15, talvez. eles me atravessaram, pass…

Maio.

O jasmim florido emprestou para a chuva suas pétalas.
Um instante nada. Aquele nada instante. Não há mais poesia do que no caos.
no abandono.
Mais poesia na flor que caiu,
Mais poesia na chuva que alagou. Mais poesia na tristeza, do que tristeza na poesia. Poesia que passa displicente pelos olhos, que não consegue atingir a pele, que não chega a iluminar a face. Maio, minha poesia inicial. Para Katia Fugita.