
O chão batido da velha estrada viciada, cansada cheia de buracos nunca tinha sido tão profícuo.
Sem sinalização
Sem fiscalização
Sem orientação
Seguiu até o fim da linha.
Curvou-se ao acalanto do sol nascente, arriscou encarar o astro a pino e finalmente rendeu-se à lua azul.
Num caminho de pedras enormes e oásis escassos.
O som ritmado da terra seca arranhando as sandálias era companhia tranqüila.
Até que, na chegada ao fim, percebeu que nada foi.
Nada seria.
Nunca nada.
O chão abriu-se acolhendo os seus sonhos: museu de idéias e de sentimentos.
O segredo ficou impune.
O amor vai brotar algumas flores quando chover.
E elas talvez encantem.
Talvez cheirem.
Talvez existam.
Talvez nem saibam.