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sábado, 12 de maio de 2018

Egotrip


Foi um ano de perdas e ganhos.
Um ano de tantas voltas! E tantas emendas de vida!
O meu ano começou com festa. De arromba. Foi uma festa de despedida de um momento da vida. Toquei ao piano a valsa do Adeus. Foi por acaso, mas não foi aleatório. Foi como se aos 45 eu fechasse livros, ciclos, possibilidades. Foi como se eu reunisse gente querida pra dizer que dali pra frente seria diferente.
A festa que bombou na rua da Glória foi a vernissage da minha metamorfose. Foi um ano de menos medo. Menos solidão. Mais força. E um ano anunciando uma mulher madura, minha festa de debutante para apresentar quem eu sou.
Apostando no ciclo virtuoso do amor como escudo a todo o resto negativo. Dando a cara a tapa na vida, abrindo as opiniões e enchendo os pulmões para dizer: que felicidade não ser unanimidade! Que alegria ter as minhas!
No meu mundo ideal todas as pessoas são felizes, mas tenho as minhas. Tenho a lista dos afetos.
Foi um ano de lagarta, me assustando com minhas reações, não entendendo a solidão voluntária de tantos momentos prazerosos. Demorou. Mas caiu a ficha. Quando as asas surgiram, coloridas e para o mundo, entendi.
Sou uma mulher madura que quer ser feliz. Só quero do meu lado gente que me faz bem. Só patrocino alegrias inteiras.
Sim, tem gente que eu prefiro não falar. Algumas, preferia nem conviver.
O "Não" dito docemente é um remédio eficaz!
E uma alegria em pleno inferno astral me soa fora de hora! Como se eu tivesse tomado uma vacina. Não me iludo. Continuo saudosista, continuo nostálgica. Continuo com uma lágrima sempre pronta a explodir. Mais de alegria que de tristeza.
Mas tem um poder, aquele de saber que o abismo é sempre mais à frente, que tudo passa, que o tempo não vai parar pra enxugar as minhas lágrimas e que, por isso mesmo, talvez seja o meu maior aliado. Sim! Eu marcando na folhinha os 46 anos, estou aliada ao tempo.
Foi um ano em que comecei a ouvir minha própria voz. Um ano em que deixei que outras pessoas também a ouvissem. Minhas ideias que sempre pulularam entre o peito e a mente, agora saem pela boca.
E se me perguntarem o que vai ser daqui pra frente, nem sei responder. Mas sei que daqui pra frente sou eu. Eu com minha verdade vital. Eu com a coerência de quem é controversa.
Muito prazer! Eu sou eu mesma. Vou comemorar com uma festa bem íntima o bem que eu tenho me feito. Os horizontes andam se abrindo. E vejo novas visões. Capto momentos com uma sintonia mais fina.
O corpo, este tem mudado. E eu tenho uma enorme gratidão por tudo o que ele me faz. Me leva, me deita, me dá prazer. Uma parceria das antigas. 
Sigo. E somente por isso, tudo já está valendo a pena.



segunda-feira, 5 de agosto de 2013

A verdade é revolucionária.




Estou no sexto andar de um prédio, numa ilha. 
De buzinas. De Sirenes. De stresses.
Estou na sala 601 de um prédio sem charme. 
Estou refugiada.
Não me agradam os móveis puídos, não me apetecem as persianas, ou a paisagem volante de mosaicos vermelhos e brancos que piscam conforme os freios.
Mas muito me agrada a solidão. 
Que arruma as gavetas dos sentimentos, que ordena as dores.
Hoje foi um dia cheio. Um parto. Pari um filho hoje.
Sentada aqui, sozinha neste pardieiro, sinto minhas forças voltando.
E me vem o amor que é o amor de mãe. A verdade que é ser mãe. A revolução.
Sigo o olhar sobre meu filho e desejo um abraço perpétuo. Um afago obedece a alma.
Hoje eu pari meu filho de 15 anos. Pari para a vida.
Foi tão difícil arrancar este menino com o olhar naif de dentro de mim!
Foi tão intenso admitir que ele não cabe mais no meu ventre, que ele cresceu!
E, no entanto, sinto o quanto fizemos bem um ao outro.
O telefone toca e é ele. "Vou fazer diferente agora”, confessa.
Vai, sei que vai. Porque hoje ele abriu os olhos. Com minhas palavras arranquei sua venda. Quem sabe, eu mesma a mantinha ali.
Sua voz cambaleante parece mais séria. Algo de sua inocência se foi desde a manhã.
Dos tantos partos, este foi dos mais dolorosos.
O menino vinha ao meu lado simbiótico, enlaçado. Teimava em não crescer. 
Partiu.
Daqui de cima da tal sala comercial, esperei todos irem embora para sentir minha contração de expulsão. 
Expeli um humanista. Se índigo, se mestre, se médium...
Foi a melhor parte de mim.
E do alto do sexto andar, minha vida continua. Escrevo, falo, atendo ao telefone.
Era ele.
Confirmando que a partir de agora está mais inteiro do que nunca.
Vou esperar o rush passar e voltar pra casa. 

Horizonte

 Pausar.  Simples e necessário! Tempo restaurador. Arrumar as gavetas da cabeça, acariciar a alma, alentar as dores, afagar os prazeres. Fec...