Não tem chovido muito na minha horta
Não tenho conseguido abrir os sulcos da imaginação.
Minhas palavras são reincidentes
Minhas idéias velhas não deixam as novas entrarem.
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
Coração de mãe

Coração de mãe
Não é um jardim florido
Não é o paraíso
Nem cenário para se perecer.
Coração de mãe
Abriga os sonhos
Aninha as lágrimas
Coração de mãe
Não é só um músculo forte
Que bate e vela a vida.
É um espaço sereno
De dimensões imensas
Maior do que o corpo
Capaz de abrigar muitas almas.
Coração de mãe cresce o tempo todo.
E também fica pequenino.
Coração de mãe começa a existir sem saber
E nunca, nunca deixa de ser!
(Para Ana Luiza, personificação do amor, com inspiração nos versinhos de pé quebrado do Menino Maluquinho!)
terça-feira, 30 de setembro de 2008
até.... talvez.....

O chão batido da velha estrada viciada, cansada cheia de buracos nunca tinha sido tão profícuo.
Sem sinalização
Sem fiscalização
Sem orientação
Seguiu até o fim da linha.
Curvou-se ao acalanto do sol nascente, arriscou encarar o astro a pino e finalmente rendeu-se à lua azul.
Num caminho de pedras enormes e oásis escassos.
O som ritmado da terra seca arranhando as sandálias era companhia tranqüila.
Até que, na chegada ao fim, percebeu que nada foi.
Nada seria.
Nunca nada.
O chão abriu-se acolhendo os seus sonhos: museu de idéias e de sentimentos.
O segredo ficou impune.
O amor vai brotar algumas flores quando chover.
E elas talvez encantem.
Talvez cheirem.
Talvez existam.
Talvez nem saibam.
quarta-feira, 24 de setembro de 2008
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
muito prazer
Não gosto muito das regras. Mas as cumpro metodicamente.
As exceções são como um desafio. Risco de erro, abuso de confiança.
E as prefiro, via de regra.
Por exemplo, ao escrever. Minha inspiração é uma exceção.
A regra é relatar os fatos de forma clara e coerente.
Muito bissexta, minha iluminação. Deveras teimosa.
O normal seria que sentisse impulso de escrever durante meus turbilhões emocionais, sejam de felicidade ou de tristeza. Ou talvez decidisse usar este blog pra amainar meu tédio.
Não adianta. Penso nos momentos mais improváveis e a tal “lâmpada” só acende quando estou completamente desprevenida.
Cortando legumes, levando o tapete pra lavanderia, abastecendo o carro....
Ela então tripudia da minha praticidade extrema e sazonal e me avisa: “esta não é você, querida! Trate de ver poesia no macacão cheio de graxa do frentista, ou encontre nas manchas do tapete desbotado algum sintoma de amor.... quem sabe identifique formas abstratas nas cascas dos legumes?”
Pronto! Caio do pedestal de mulher racional, mergulho profundamente nos meus devaneios.
Erro o percurso pro trabalho, deixo o bolo dentro do forno e esqueço de fazer algum pagamento.
Esta aí sou eu. Muito prazer.
domingo, 31 de agosto de 2008
Via Láctea.... Farinha Láctea

O dinheiro contado no bolso.
Na cabeça, a lista resumidíssima para ir ao supermercado.
Levava pela mão o primeiro filho: cabelinhos de trigo, olhinhos escuros curiosos, lábios vermelhinhos.
Segurava seus dedinhos, uns gominhos de laranja, como quem carrega uma peça rara.
No caminho, pouco mais de um quilômetro, o pequeno não parava de falar.
Ele adorava as palavras e sua mente indagava coisas impensáveis.
- Mamãe, como é que cavalo tira catota????
Ela pensava, ria no seu íntimo maravilhada com aquela cabecinha dourada e respondia, com paciência:
- Sabe que eu nunca pensei nisso, filho? Será que cavalo fica gripado?
Ele nem mesmo deixava a resposta ultrapassar os limites do ouvido e continuava:
- Mãe, hoje o almoço foi carne de sol.... e mataram o sol, foi?
Ela achava engraçado. Achava inteligente aquela pessoinha inventar estas coisas. Respondia com muito cuidado pra não deixar nenhuma palavra fora do lugar.
Quando chegaram ao supermercado, ela explicou ao filho que não poderia comprar muitas coisas. Iria pegar nas prateleiras somente o necessário. O menino se comportou muito, muito bem. Quietinho, sentado de frente pra ela no carrinho, continuava a conversa das imagens de quem começa a conhecer o mundo.
Voltaram pra casa, o sol já se punha.
O pequeno foi brincar no quarto e ela como todo dia, fez sua papinha, serviu por volta das sete da noite.
Era seu primeiro filho. Apaixonante.
Mais tarde, umas oito da noite, esperando o pai chegar do trabalho, deitaram-se os dois na rede. Ficavam sempre ali, olhos vidrados no céu.
Ela explicava o que sabia sobre a lua, os planetas, a via láctea....
E o menino curioso ouvia, calava, olhava.
Eles cantavam, deixavam o tempo passar como uma brisa leve e satisfeita.
Até que, de repente, ela viu uma estrela cadente.
No seu entusiasmo, precipitou-se ao filho:
-Uma estrela cadente, querido! Vai, vai, faz um pedido!!!!
O pequeno pensou rápido.
- Posso pedir qualquer coisa?
E a mãe:
- Vai, filho! Rápido!
E ele então desejou:
- Eu quero Farinha Láctea!!!!
Ela emudeceu. Naquela tarde, no passeio até o supermercado, tinha comprado Nescau.......
sexta-feira, 1 de agosto de 2008
.... trocando em miúdos.....
Tem vísceras, minh’alma.
Como quaisquer outras, reviram meus sonhos imperfeitos.
Instalam-se crônicas, posseiras.
Tem vísceras, minh’alma.
E as descobri há tão pouco tempo...
Como quaisquer outras, reviram meus sonhos imperfeitos.
Instalam-se crônicas, posseiras.
Tem vísceras, minh’alma.
E as descobri há tão pouco tempo...
Assinar:
Comentários (Atom)
Horizonte
Pausar. Simples e necessário! Tempo restaurador. Arrumar as gavetas da cabeça, acariciar a alma, alentar as dores, afagar os prazeres. Fec...
-
Pausar. Simples e necessário! Tempo restaurador. Arrumar as gavetas da cabeça, acariciar a alma, alentar as dores, afagar os prazeres. Fec...
-
O mormaço emerge do chão. A chuva fina que cai insegura se desfaz antes de tocar no solo. O suor que traça caminhos incertos pelas minhas c...
-
Hoje é véspera de natal e eu desejo imensamente a vida. Que a gente continue desejando Um sorvete, um beijo, uma viagem Uma fatia de...
