Sendo menina, não sabia brincar de gente grande.
Correu por entre tantos caminhos, querendo se esconder.
Atracou os sonhos em portos seguros fantasiando ser o capitão,
Deu de cara com a vida na esquina seguinte.
Não viva sem escrever...
Não cabia em sua mente tantos e tantos pensamentos.
Escrever era uma forma de acalmar os bichinhos que pintam e bordam dentro da cabeça.
Ei-la aqui de novo.
Dependente do sonho e presa à realidade.
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
segunda-feira, 6 de julho de 2009
Há tempo
"Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de colher;
Tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derrubar, e tempo de edificar;
Tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dançar;
Tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar, e tempo de se afastar;
Tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de jogar fora;
Tempo de rasgar, e tempo de coser; tempo de silêncio, e tempo de falar;
Tempo de amar, e tempo de odiar; tempo de guerra, e há tempo para a paz".
Quando eu era menina, às vezes fingia dormir.
Era pra chamar atenção, claro.
E quando todos insistiam em me acordar, eu simulava um sono profundo.
Depois, quando esqueciam de mim, deixavam meu capricho de lado, eu ficava pensando qual seria a hora certa de "acordar".
Então, me dava vontade de participar das conversas, das brincadeiras.
Dava vontade de ver "Os trapalhões"....
E então eu esquecia que tava dormindo.
Anos mais tarde quando as festas e os amigos ficara mais importantes, a vontade que dava era de nunca sair dos embalos.
E eu ouvia meu pai sabiamente e despretenciosammente dizer:
- Sai sempre da festa no seu melhor.
Muitas vezes eu fui a última a sair, ao apagar das luzes.
Com o tempo fui mesmo preferindo sair quando ainda estamos lúcidos.
Pois é....
Agora vejo que é hora de deixar este blog, perdê-lo de vista.
Dar um tempo dos meus queridos escritos pra fazer outra coisa.
Vou sair de fininho, como quem quer ficar.
Deixando minhas digitais por todos os lados e as pistas de quem eu sou.
Tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derrubar, e tempo de edificar;
Tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dançar;
Tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar, e tempo de se afastar;
Tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de jogar fora;
Tempo de rasgar, e tempo de coser; tempo de silêncio, e tempo de falar;
Tempo de amar, e tempo de odiar; tempo de guerra, e há tempo para a paz".
Quando eu era menina, às vezes fingia dormir.
Era pra chamar atenção, claro.
E quando todos insistiam em me acordar, eu simulava um sono profundo.
Depois, quando esqueciam de mim, deixavam meu capricho de lado, eu ficava pensando qual seria a hora certa de "acordar".
Então, me dava vontade de participar das conversas, das brincadeiras.
Dava vontade de ver "Os trapalhões"....
E então eu esquecia que tava dormindo.
Anos mais tarde quando as festas e os amigos ficara mais importantes, a vontade que dava era de nunca sair dos embalos.
E eu ouvia meu pai sabiamente e despretenciosammente dizer:
- Sai sempre da festa no seu melhor.
Muitas vezes eu fui a última a sair, ao apagar das luzes.
Com o tempo fui mesmo preferindo sair quando ainda estamos lúcidos.
Pois é....
Agora vejo que é hora de deixar este blog, perdê-lo de vista.
Dar um tempo dos meus queridos escritos pra fazer outra coisa.
Vou sair de fininho, como quem quer ficar.
Deixando minhas digitais por todos os lados e as pistas de quem eu sou.
quarta-feira, 24 de junho de 2009
um dia remoto
O vapor emerge do cimento, regula a velocidade dos gestos, retarda os movimentos. Por fora, tudo se desmancha em suor. O brilho da pele engordurada cintila. Altera os sentidos.
A vida passa lenta, vaga, imensa dentro daquelas horas de verão.
Longe da brisa do litoral, o que se vê é a agonia. As roupas que desfilam pregadas nos corpos pelas ruas, os corpos que imaginam desfilar livres dos algodões, sedas, popelines....
Pelos poros são expulsas todas as toxinas, mas também o cheiro forte da cerveja, a cachaça pouco degustada, tudo se esvai com o calor.
O tempo esquenta, parece que vai chover. Dentro dos ônibus, braços e pernas se tocam e parecem grudar uns nos outros. Braços e pernas. Por entre as saias, filetes escorrem lânguidos, insistentes.
Ela passa as mãos pelo rosto, sente uma ardência infeliz. Numa sensação de torpor, misturando um sono quase incontrolável a uma irritação aparente, ela levanta-se, pede parada. Desce no centro da cidade e caminha. Faz um traçado já automático, robótico. Não olha mais as pichações nas ruas, os pedintes imundos que fazem ponto sempre no mesmo lugar, o cartaz daquele cinema que está caindo aos pedaços.... nada. Ela não vê nada. Caminha como se pertencesse a um mundo isento de som e de luz.
Por dentro, trovões, tempestades. Repete lentamente pela enésima vez as palavras que ouvira. Busca outra significação. Ouve novamente dentro da cabeça aquele diálogo. E imagina como se libertar. Tudo denso. Denso como se uma faca pudesse cortar uma fatia.
Ah, se pudesse! Cortaria aquela fatia que dói, a da culpa.
Os cabelos agora pesam, ela os prende acima da cabeça. Alguns fios, já molhados, descem pelo rosto.
O amor. Todo mundo diz que o amor é fundamental. Que sem ele não se vive, nem se sobrevive.
O amor como um sentimento que alimenta. Um complexo vitamínico, um suplemento que chega para salvar a vida.
Ela não aceitou na receita.
Passou do ponto, mexeu demais..
O coração batendo forte, ela impassível. Segura a bolsa firme com a mão direita, sobe as escadas, pega a chave no bolso da frente, abre o primeiro cadeado. Depois, o segundo, a grade e por fim a porta de entrada. Guarda as chaves no mesmo lugar, fecha o zíper. Sempre no mesmo bolso, da mesma bolsa.
Da mesma bolsa que combina com os sapatos pretos. “Sapatos pretos, bolsas pretas”, pensava ela.
Mas, na vida, a combinação foi outra. Foi como se ela tivesse calçado sapatos listrados em preto e branco e escolhido uma bolsa colorida, estampada, pra acompanhar. Na vida, ela não tinha tanto método assim.
As palavras dele ainda ecoavam na sua cabeça. Difícil findar uma história que ainda não acabou. Difícil escrever o ponto final no meio da frase, quando se está com a voz no alto, a boca ainda aberta.
Ela senta. Fica estática. A vida deve ser assim mesmo. Uma sucessão de insucessos. Até chegar ao fim. Onde é o fim? Quem dá o fim? E depois do fim?
Recolhe as correspondências, organiza os jornais, lê as manchetes sem vontade.
E depois.....
Depois é um longo vácuo, uma romaria sem santo, sem igreja e sem fé.
A vida passa lenta, vaga, imensa dentro daquelas horas de verão.
Longe da brisa do litoral, o que se vê é a agonia. As roupas que desfilam pregadas nos corpos pelas ruas, os corpos que imaginam desfilar livres dos algodões, sedas, popelines....
Pelos poros são expulsas todas as toxinas, mas também o cheiro forte da cerveja, a cachaça pouco degustada, tudo se esvai com o calor.
O tempo esquenta, parece que vai chover. Dentro dos ônibus, braços e pernas se tocam e parecem grudar uns nos outros. Braços e pernas. Por entre as saias, filetes escorrem lânguidos, insistentes.
Ela passa as mãos pelo rosto, sente uma ardência infeliz. Numa sensação de torpor, misturando um sono quase incontrolável a uma irritação aparente, ela levanta-se, pede parada. Desce no centro da cidade e caminha. Faz um traçado já automático, robótico. Não olha mais as pichações nas ruas, os pedintes imundos que fazem ponto sempre no mesmo lugar, o cartaz daquele cinema que está caindo aos pedaços.... nada. Ela não vê nada. Caminha como se pertencesse a um mundo isento de som e de luz.
Por dentro, trovões, tempestades. Repete lentamente pela enésima vez as palavras que ouvira. Busca outra significação. Ouve novamente dentro da cabeça aquele diálogo. E imagina como se libertar. Tudo denso. Denso como se uma faca pudesse cortar uma fatia.
Ah, se pudesse! Cortaria aquela fatia que dói, a da culpa.
Os cabelos agora pesam, ela os prende acima da cabeça. Alguns fios, já molhados, descem pelo rosto.
O amor. Todo mundo diz que o amor é fundamental. Que sem ele não se vive, nem se sobrevive.
O amor como um sentimento que alimenta. Um complexo vitamínico, um suplemento que chega para salvar a vida.
Ela não aceitou na receita.
Passou do ponto, mexeu demais..
O coração batendo forte, ela impassível. Segura a bolsa firme com a mão direita, sobe as escadas, pega a chave no bolso da frente, abre o primeiro cadeado. Depois, o segundo, a grade e por fim a porta de entrada. Guarda as chaves no mesmo lugar, fecha o zíper. Sempre no mesmo bolso, da mesma bolsa.
Da mesma bolsa que combina com os sapatos pretos. “Sapatos pretos, bolsas pretas”, pensava ela.
Mas, na vida, a combinação foi outra. Foi como se ela tivesse calçado sapatos listrados em preto e branco e escolhido uma bolsa colorida, estampada, pra acompanhar. Na vida, ela não tinha tanto método assim.
As palavras dele ainda ecoavam na sua cabeça. Difícil findar uma história que ainda não acabou. Difícil escrever o ponto final no meio da frase, quando se está com a voz no alto, a boca ainda aberta.
Ela senta. Fica estática. A vida deve ser assim mesmo. Uma sucessão de insucessos. Até chegar ao fim. Onde é o fim? Quem dá o fim? E depois do fim?
Recolhe as correspondências, organiza os jornais, lê as manchetes sem vontade.
E depois.....
Depois é um longo vácuo, uma romaria sem santo, sem igreja e sem fé.
terça-feira, 16 de junho de 2009
O céu daqui

Queridos amigos de longe,
Por aqui, já consigo deixar no pendura uma escova que faço no cabelo, ou o trabalho da manicure.
Também já recebo alguns sorrisos da moça que é caixa na padaria.
O motorista do ônibus de manhã já abre a porta na parada com um sonoro Bom Dia.
O japonês da mercearia na quadra de baixo não me deixa mais pegar peso. Sempre me ajuda com as compras da semana.
Bom sinal, não?
No início, estas mesmas caras eram tão impessoais que às vezes eu brincava de estar morando numa terra de andróides. Era a minha fantasia pra não entrar em parafuso.
Mas não é isso não, meus amigos. Com o tempo eu fui compreendendo.
É que este povo que veio parar aqui, na sua maioria, tem suas raízes longe, longe e devem ter aprendido a se defender do preconceito fechando a cara. A cabeleireira é do Cariri cearense. A manicure veio do Piauí. O motorista de ônibus veio do Norte. O japonês da mercearia, obviamente, veio do Japão.
O céu daqui é mesmo de um azul especial como dizem.
Eu me sinto contemplada com o por do sol que enrubesce as nuvens lá pelas cinco da tarde.
A lua cheia parece maior e mais viva neste Planalto. Penso que ela é mais feliz aqui por não competir com uma profusão de arranha-céus.
Mas não mudei, acreditem. Ainda adoro barulho de gente dentro de casa, gosto de acordar cedo e tomar café da manhã com os meninos. Eles é que têm acordado cada vez mais tarde....
No bar preferido, um árabe tradicional daqui, quando passamos muito tempo sem aparecer, o garçom ( que é de Sobral, no Ceará) pergunta:
-Estavam passando uns tempos na terrinha????
É isso.
Espero vocês todos por aqui.
Se tem uma coisa que falta nesta terra são meus amigos.
terça-feira, 19 de maio de 2009
Brasília

O oco do mundo está ficando cheio.
A menina da rua de baixo nunca viu o mar. Vinte anos de idade e nunca viu o mar.
Nunca encheu os olhos de verde água, nunca arrastou os pés na areia fina e branca. Nunca sentiu o sal seco que estica a pele às quatro da tarde, depois que o sol esfria...
No outro lado da rua a manicure que morava no sertão veio de ônibus pra cá. Dez dias de viagem comendo poeira e alimentando o sonho. Nunca viu o mar, mas anda de metrô.
O barbeiro fugiu da miséria à beira mar e trouxe toda a família num ônibus fretado. Pai, mãe, irmãos, cunhadas, sobrinhos... umas trinta pessoas, ele acha. Hoje, tem advogado, enfermeiro formado.
E as ondas do mar continuam a quebrar.
quinta-feira, 7 de maio de 2009

Não cabe no meu peito toda a minha vida.
Suas faíscas saem pelos olhos e se infiltram pelos poros.
Não cabem minhas histórias somente na minha vida.
Elas se envolvem em outras tal qual hera no muro do vizinho.
Emprestei meu sangue. Doei, na verdade.
E meus filhos o levarão às suas vidas.
Não cabe a mim nada que seja meu.
quinta-feira, 16 de abril de 2009
A resposta (por Rinaldo)

Agora o tempo se avoluma na porta da frente de casa
Aumenta sua presença fora, prestes a bater sua mão em nossa caixa de música guardada
Ousa o segredo das coisas e escuta o simples andar de uma fera a anunciar o visitante
Seu volume é de intensa forma recriada em dois mundos, um atento flerte da cor encarnada,
esguio corpo de gente dentro de roupa, outro pensativo descanso sobre as almofadas de pano que
aquece os sonhos.
Agora a casa se avoluma diante da porta
e um casal não reluta em abrir as vontades
decididas mãos desvendam os segredos e mexem o trinco da mecãnica das horas
Abrem com um piscar dos olhos a dimensão do espaço e a presença diante dos olhos é de cerimônia
Bom dia
o tempo urge
Parabéns.
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