quinta-feira, 8 de março de 2012
PAREIAS
Iguais na diferença. A ideia é essa mesmo.
Sonho com o dia em que não mais precise lembrar do massacre das operárias queimadas vivas em uma fábrica por exigirem condições humanas de vida.
Sonho com o dia em que delegacias genéricas atendam às mulheres com o mesmo preparo e respeito.
Sou mulher. E não quero ser igual aos homens. Não no que me faz tão especial, tão diferente.
Gosto da minha subjetividade, gosto da afinidade que tenho com a mãe natureza, imitando seu ciclo, suas estações, suas luas.
Tenho meu ciclo, tenho meu humor e as minhas primaveras.
Eles e elas são especiais. Na sua natureza mais primitiva o são.
Na completude da força física e da força vital.
Mas, por isso mesmo, quero ser pareia.
Civilmente igual. Socialmente igual.
Cansei de estar em ascensão. Já chega.
É hora de humanos se tratarem como iguais.
Por isso (e me desculpem os que entendem mais sobre o assunto),
Meu grande sonho é que não se comemore mais o dia da mulher.
Este dia de luta, de grito, de alerta.
Pronto. Falei.
Até lá, a TODAS E TODOS,
Pensamentos iguais ou diferentes,
Convergentes ou divergentes,
Até que possamos nos superar,
FELIZ DIA DA MULHER!!!!!
sexta-feira, 2 de março de 2012
Férias pra inspiração
Inspire, expire.
Tente outra vez, sinta seu pulmão abrindo, como pequenas bolinhas de soprar.
Não, isso não é um exame médico. É um suspiro.
Suspiro de quem busca a inspiração.
Oxigene a sua mente, inspire. E talvez o oxigênio chegue com uma ideia nova, um causo, um conto, uma melodia, uma invenção qualquer.
Senão, tente denovo.
Pior ainda é quando temos a sensação de que a ideia entrou mas não foi direto pros neurônios. Ela deve estar passeando, surfando nas correntes que irrigam o corpo. De vem em quando, sinto o cheiro dela. Aguardo pacientemente que a tal ideia chegue onde deveria estar.
E nada.
Melhor bater claras, misturar com açúcar e fazer um suspiro.
Quando estiver no forno, inspire lentamente. O cheiro do doce vai invadir os pulmões, com um oxigênio renovado.
Coma quente, queimando os dedos.
Sem guardanapo, sem parcimônia.
Esqueça que precisa ter uma boa ideia.
Aí ela vem mansinha, quentinha, como um suspiro…
Inspire, aliviado.....
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
Evoé!!
Quase todo ano eu resisto.
Este ano vou fazer diferente. Vou aproveitar meus dias pra ler, pra descansar.
Aí, como um vírus, ele chega. Os primeiros sintomas vão se pronunciando. Lá de longe se ouve um clarim. Me pego batendo um ritmo na mesa do almoço. Resisto, titubeando. Já é quase um passo....
No bar do lado de casa uma orquestra comemora o dia do frevo. Vou lá somente pra olhar, como se fosse mera turista.
Volto pra casa, subo no maleiro, tiro as sacolas das fantasias, experimento tudo ainda com cheiro de guardado, os meninos também entram na onda.
Lascou.
O meu carnaval chegou, trouxe o espírito carnavalesco com um sopro:
O do Clarim...
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
Luto mutante
Agora é outro parto.
Não de parir, mas de partir.
Deixar partir, crescer.
Se desvencilhar da placenta imaginária que eu criei.
O parto é dele, as dores são minhas.
Tenho orgulho deste abandono.
Que vá no caminho que quer.
Que queira algum caminho.
Que siga feliz.
Quem aprende agora sou eu.
A confiar.
Esperar suas visitas inesperadas,
Ser pilar para os dias difíceis.
Decorar este novo papel
E deixar fluir o protagonista da nova história.
Nesta, sou coadjuvante.
Meu luto não é triste. É mutante.
É o luto das mães.
Difícil é aprender a ser denovo. Sem pretexto.
E aprender a conjugar tudo no presente do indicativo.
Definitivamente, eles não gostam do pretérito imperfeito.
Não de parir, mas de partir.
Deixar partir, crescer.
Se desvencilhar da placenta imaginária que eu criei.
O parto é dele, as dores são minhas.
Tenho orgulho deste abandono.
Que vá no caminho que quer.
Que queira algum caminho.
Que siga feliz.
Quem aprende agora sou eu.
A confiar.
Esperar suas visitas inesperadas,
Ser pilar para os dias difíceis.
Decorar este novo papel
E deixar fluir o protagonista da nova história.
Nesta, sou coadjuvante.
Meu luto não é triste. É mutante.
É o luto das mães.
Difícil é aprender a ser denovo. Sem pretexto.
E aprender a conjugar tudo no presente do indicativo.
Definitivamente, eles não gostam do pretérito imperfeito.
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
BB, CAIR, LEVANTAR
BB de Big Brother mesmo.
Aquele programinha que ocupa lugar na minha transmissão aberta, canal de concessão pública. Aquela “ocupação” no meu horário nobre, “invasão” na minha sala.
No começo, caí na conversa. Dei lá minhas espiadinhas. Hoje, ele é que me espia. Faz de um tudo pra me capturar, um segundo que seja. Uma bunda que seja.
Vale tudo pra angariar os milhões do patrocinador.
Vale tudo.
Aliás, as lutas de vale tudo têm regras. No BB, pouca coisa é proibida.
Alguém já percebeu que todo “brother” tem um pé no alcoolismo?
Outro dia li uma manchete em que uma das participantes se intitulava "Pinguça".
Pois é...
Alguém já parou pra pensar que em todas as festinhas produzidas e fabricadas de acordo com os estudos de marketing empurram álcool goela abaixo da galera?
Baixaria na certa. Amnésia alcoólica. Ressaca moral. Tudo ao vivo, 24 horas, a cores.
Todos bebem até cair. Chegam a níveis de degradação geral. Por um milhão e meio de reais. Direitos humanos violados, direitos de cidadão, me parece um zoológico humano, que li num livro de ficção.
Quem sabe um dia não é chamado um integrante do Alcoólicos Anônimos pra participar democraticamente da festa.
Aliás, se eu fosse a TV, mudaria do nome do Programa.
De BB para AA.
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
De bom humor
Acordo de bom humor.
Sei, sei sei...
Isso é um defeito inaceitável.
Mal abro os olhos, corro pra ver o sol, a chuva, fazer um café, dar bom dia ao cachorro, colocar água nas plantas.
Sou Insuportável.... ligo o som. Tom jobim de preferência, combina com o ar da manhã...
E não é só isso, acredite. Sou bem pior do que se possa imaginar. Ponho a mesa do café da manhã, faço tudo “comme Il faut”...
Fico à espreita. Quando o primeiro acorda, coitado!
- Bom dia! Que dia massa! Quer tomar café? Tem geleia na mesa, fiz um bolo. Prefere um ovinho???
Chego a ser politicamente incorreta. Meu bom humor quer modificar o mau humor do outro. Isso é invasão de privacidade.
Ai a pessoa me olha de rabo de olho, esfrega a mão no rosto pra não dizer que tou sendo demais. Mas o corpo fala.
E quer saber? Nesta hora já estou pensando no que vou fazer pro almoço. Hoje em dia eu fecho a boca, mas a vontade que dá é emendar:
- Pensei em fazer pro almoço tal prato. O que tu acha?
...
Silêncio do outro lado...
Mas, mesmo assim, fico maquinando.
O pobre desiste de mim, volta pro silêncio da cama.
E eu fico ouvindo o barulho da minha cabeça.
Outro dia ele me disse: "Teu bom humor me deixa de mau humor".
Então ta.
Li Polyanna. E Polyanna Moça.
Acho que o problema é esse.
O teu mau humor reforça o meu bom humor.
BOM DIAAAAAAAAA!!!!!!!!!!
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
Só a sogra salva!
Tinha um baby doll na mala dele.
Não. Tinha um baby doll na bolsa da roupa suja.
Bege, mangas compridas, calças compridas, muito, muito maior do que eu. A defunta era maior,talvez mais nova, mais bonita, mais bem humorada....
Mas o baby doll era de nylon, sem estilo.
Pastel. não era roupa de amante.... quem sabe?
Era bem conservado, mas não era novo. Gola de renda, decote canoa. Definitivamente, não era um fetiche. Meio antigo...
Guardei na gaveta. Mas não esqueci dele.
Horas depois, botei pra lavar. Intrigada...
Num rompante, tirei do cesto de roupa suja e vesti. As pernas da calça passavam um palmo. Nos braços, as mãos sumiam. Na cintura, ameaçava cair. Imagina a cena! Praticamente um espantalho.
E pensava: "Que cara de pau! Passar 3 meses fora e trazer um baby doll alheio na roupa suja!"
Guentei não.
Cheguei na sala, me coloquei na frente da estante, fiz pose de modelo e perguntei:
- Que roupa é essa????
Era aniversário de casamento, ainda por cima.... muito sem noção!
- Que roupa?
Ele falou sem nem olhar pra mim.
- Esta que eu estou vestindo!!
Respondi ainda mais arretada, já querendo pular no pescoço dele.
- Não é sua?
Ele finalmente olha de relance, achando estranho. Riu pelo canto da boca.Eu devia estar patética.
- MINHA????? Estava na SUA roupa suja!!!! É sua por acaso?
- Claro que não. Não sei que roupa é essa.
- E quem sabe, meu filho? Fala logo que é melhor!
Discórdia instalada, ele tentando montar uma prateleira.
- Vai! diz! e ainda faz essa cara de paisagem!
O suor escorria pelo esforço, martelo, prego... e eu insistindo:
- Vai, fala de uma vez! Sou besta não!
A batida surda do martelo no prego respondia. Ele batia com mais força.
A esta altura, meu pé estava batendo no chão e as mãos já na cintura.
A campainha toca.
Era a minha sogra. Queria saber se a gente tinha um band aid.
Olha pra mim e dispara:
- Minha filha o que você está fazendo com o pijama que eu mandei pra minha prima em Brasília??? É grande demais pra você!
Ele tinha esquecido de entregar. Nem se lembrou que tinha uma prima por lá.
Salvo pelo gongo. Salvo pela mãe. Salva pela sogra.
Devolvi o pijama pra minha sogra.
Só faltaram as pantufas.
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