Aurora, Praia, Sol, União, Harmonia, Angustura, Amizade, Saudade, Alegria, Glória, Hora, Calçadas. Eu vim de um lugar onde as ruas tinham estes nomes.
E em cada um destes endereços eu vivi. Passei por suas expressões poéticas escritas em placas azuis. Nas esquinas de poeira, à beira do rio fétido, contemplava minha cidade. Cresci e vi outros crescerem.
Do rio, eu via o mar e o mangue nas encostas. O oceano imenso que aprendi a enxergar na linha da visão.
Gostava também dos nomes dos bairros. Uns com nomes de mulher: Madalena. Outros, com nomes de árvores frondosas: Espinheiro, Jaqueira. Tantos outros levavam na alcunha referência a antigos engenhos: Casa Forte, Caxangá, Casa Amarela, Engenho Novo. Aflitos, Torre, Encruzilhada, Brejo. Gostava de imaginar de onde veio o Paisandu, como surgiu a Ilha do Leite, como batizaram o Pina.
Hoje, morando em novas paragens, sinto falta dos amigos, sinto falta do labirinto da minha cidade. Mas morro, morro de saudade mesmo é dos nomes dos lugares.
O bicho da nostalgia encontrou em mim morada. Mas na minha teimosia, sinto também um comichão que me impulsiona para novos lugares, novas terras. E sem este dom aventureiro, vou ficando triste. Não sou nômade, porém. Minha cidade está no mapa.
Entendo agora o frevo de Antônio Maria, que nos carnavais, minhas fantasias, eu cantava me emocionando: “Sou do Recife com orgulho e com saudade. Sou do Recife com vontade de chorar”. Desculpa, Antônio. Até hoje eu achava que a tua poesia era alegoria.