Imagino que a saudade não vai embora.
Só encontra um lugar mais "consolidado" no peito.
Por enquanto a minha saudade
ainda está procurando onde construir sua morada.
Mas sei que uma hora ela vai se alojar.
Onde estaria a sua agora?
"Quem tem saudade não está sozinho
Tem o carinho da recordação
Por isso quando estou
Mais isolado estou bem acompanhado com você no coração
Um sorriso, uma frase, uma flor
Tudo é você
Na imaginação
Serpentina ou confete é carnaval de amor
Tudo é você no coração
Você existe como um anjo de bondade
E me acompanha neste frevo de saudade..."
(CAPIBA)
Pro Filipe, que brinca carnaval na imensidão
quarta-feira, 2 de março de 2011
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
Não esqueça de escovar os dentes.
Era domingo e eu acordei cedinho, ainda na insistência da barra da noite. Engraçado que dava a sensação de que alguém tinha docemente me chamado, despertado de um sono profundo e que, depois daquele meu despertar, seria impossível voltar a dormir. Então, decidi ir ver a casa. Sempre faço isso, desde sempre. Gosto de olhar para a casa vazia, muda, inerte. Consigo enxergar nela seus habitantes pelas pistas que eles vão depositando nos cantos, nos encostos dos sofás, pela chinela esquecida embaixo da mesa, pelos copos displicentes nas estantes.
Nem precisei acender as luzes porque o sol já se impunha sobre a noite. E então, percebi que eles não estavam ali. Na verdade, eu já sabia, mas a força do hábito me traiu. Abri a primeira porta e vi uma calça jeans espalhada na cama. Uma perna do avesso, a outra quase tocando no chão. Ri sozinha. Se ele estivesse ali, eu reclamaria. Mas, como eu não estava representando nenhum papel, peguei a calça e coloquei a mão em uma das pernas para tirar do avesso. Era um gesto mecânico, de quem lava roupa, passa roupa, estende roupa e dobra roupa. E neste gesto estavam guardados todos os significados. Pela primeira vez percebi que somente colocar a mão não seria o bastante pra alcançar a barra da calça. Meu deus! Como meu menino cresceu! Com mais custo consegui, enfim.
Melhor não mexer nas gavetas. Ele está um rapaz.
Na porta ao lado, também fechada, fica o jeito do mais novo. Tudo arrumado à primeira vista, salvo se você se atreve a abrir a porta do guarda-roupa. Ele saiu, foi passar o fim de semana fora e deixou tudo “organizado”.
Nem me atrevi. Dobrei somente uns papéis.
Nada de sono. O sol já estava mais alto. Do quarto do caçula eu ouvia o ressonar do meu marido, companheiro de um tempo que eu nunca imaginei chegar.
Fui ao banheiro social, o dos meninos. E lá foi que eu senti a maior ausência. Não encontrei suas escovas de dente. Dizem que quando a gente casa junta as escovas de dente, não é?
Pois naquele momento entendi que meus filhos estavam ganhando o mundo. E que ganhem mais ainda! Conquistem seus sonhos e me tragam sua felicidade!!!
O ruim disso tudo é o medo de ficar parada no tempo, correndo o risco de só lembrar deles no pretérito imperfeito.
Meu desafio é acompanhá-los, seguir no caminho deles como mera observadora.
O futuro não é meu.
Só não esqueçam de escovar os dentes....
Nem precisei acender as luzes porque o sol já se impunha sobre a noite. E então, percebi que eles não estavam ali. Na verdade, eu já sabia, mas a força do hábito me traiu. Abri a primeira porta e vi uma calça jeans espalhada na cama. Uma perna do avesso, a outra quase tocando no chão. Ri sozinha. Se ele estivesse ali, eu reclamaria. Mas, como eu não estava representando nenhum papel, peguei a calça e coloquei a mão em uma das pernas para tirar do avesso. Era um gesto mecânico, de quem lava roupa, passa roupa, estende roupa e dobra roupa. E neste gesto estavam guardados todos os significados. Pela primeira vez percebi que somente colocar a mão não seria o bastante pra alcançar a barra da calça. Meu deus! Como meu menino cresceu! Com mais custo consegui, enfim.
Melhor não mexer nas gavetas. Ele está um rapaz.
Na porta ao lado, também fechada, fica o jeito do mais novo. Tudo arrumado à primeira vista, salvo se você se atreve a abrir a porta do guarda-roupa. Ele saiu, foi passar o fim de semana fora e deixou tudo “organizado”.
Nem me atrevi. Dobrei somente uns papéis.
Nada de sono. O sol já estava mais alto. Do quarto do caçula eu ouvia o ressonar do meu marido, companheiro de um tempo que eu nunca imaginei chegar.
Fui ao banheiro social, o dos meninos. E lá foi que eu senti a maior ausência. Não encontrei suas escovas de dente. Dizem que quando a gente casa junta as escovas de dente, não é?
Pois naquele momento entendi que meus filhos estavam ganhando o mundo. E que ganhem mais ainda! Conquistem seus sonhos e me tragam sua felicidade!!!
O ruim disso tudo é o medo de ficar parada no tempo, correndo o risco de só lembrar deles no pretérito imperfeito.
Meu desafio é acompanhá-los, seguir no caminho deles como mera observadora.
O futuro não é meu.
Só não esqueçam de escovar os dentes....
terça-feira, 2 de novembro de 2010
Viva o povo brasileiro!

Caros amigos,
Não estivemos no Marco Zero, é verdade.
Mas participamos da festa vitória de Dilma na Esplanada dos
Ministérios, em Brasília. Foi emocionante e, de quebra, ainda tinha
uma orquestra de frevo animando a galera. Só faltou tocar madeira que
cupim não roi.....
Percebi o quanto estávamos vivendo um momento especial para o país e,
também, para os meninos, que hoje têm um país liderado pela primeira
mulher da história, que assumiu democraticamente a presidência e vai
governar para 190 milhões de brasileiros.
Em alguns instantes a emoção tomou conta destes quatro nordestinos,
cada um do seu jeito, cada um com sua alegria.
Juntos, nos abraçamos e rimos, encontramos amigos, pulamos, cantamos......
Contudo, só atestei que realmente este dia teve um significado
especial quando hoje de manhã, meu caçula Luís acordou e, ainda na
cama, me chamou e disse:
"Mãe, hoje é o primeiro dia que o Brasil tem uma mulher na
presidência. E eu estava lá".
Lindo, num é? Meu filho vai contar esta história pros filhos dele. De
alguma forma, escrevemos todos juntos esta história.
Viva o povo brasileiro!!!!!
sábado, 30 de outubro de 2010
Bem feito!!!!

Estou há semanas quase concebendo um texto. Há semanas. Não tenho sido gentil com minha mente. Quando o texto chega, às vezes com frases inteiras prontas, ao invés de escrever num pedaço de papel, de correr pro computador ou de simplesmente memorizar a idéia, eu simplesmente menosprezo.
Pego aquela idéia e jogo no grande caldeirão da minha mente, misturando com tantas outras coisas, jogando tudo misturado como um arrumadinho de feijão.
Minha prepotência não tem fim. Faço isso porque acredito que novas idéias, novas figuras, novos arranjos virão, ainda melhores que aquele. “Estou cansada”, “é tarde demais”, “demasiado óbvio”.
Acontece que hoje, um sábado de um feriadão, de molho em casa, eu não tenho nada pra fazer. Lembrei de lembrar das idéias jogadas ao léu no infinito do meu cérebro. Nenhuma chegou.... Chamei, gritei, bati palmas à porta.... nada...
Estão de férias, as idéias.
Bem feito! A folha em branco não me diz nada. Remete-me a alguém que tem os olhos vazios, o pensamento inatingível. Bem feito mesmo!! Mereço este desprezo.
Devo desculpas ao meu ser criativo. Devo desculpa a mim mesma e me comprometo, a partir de agora, a dar mais valor ao que não tem valor. A ser mais atenciosa com minha as minhas invencionices.
Meu universo abstrato terá a chave da frente do meu ser racional, a partir de agora. Assim, talvez, aos poucos, chegue sem bater, sente timidamente no sofá, primeiro na pontinha e depois, aos poucos, coloque os pés no centro, peça um café ou um chá gelado.
Prometo estar atenta, pronta a servir.
E que venha logo, por favor!!!
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
triste amor
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
Desejo vão
Alguém disse um dia que o segredo da vida está nas portas.
As portas que se abrem, surpreendentes.
As portas que se fecham, misteriosas.
Não são as chaves, os segredos.
Nem mesmo são a chave dos segredos.
Viver é correr perigo.
Colocar a mão nas maçanetas
Abrir para novas paisagens
Fechá-las a cadeado.
Deixá-las entreabertas, espreitando pelas brechas.
E quando o vento, primo do acaso, invade nosso jardim,
ele mesmo alternando esta composição,
ensina que não há mais portas ou muros.
Ou sequer houve, se não em nossa vontade.
Desejos, vão.
As portas que se abrem, surpreendentes.
As portas que se fecham, misteriosas.
Não são as chaves, os segredos.
Nem mesmo são a chave dos segredos.
Viver é correr perigo.
Colocar a mão nas maçanetas
Abrir para novas paisagens
Fechá-las a cadeado.
Deixá-las entreabertas, espreitando pelas brechas.
E quando o vento, primo do acaso, invade nosso jardim,
ele mesmo alternando esta composição,
ensina que não há mais portas ou muros.
Ou sequer houve, se não em nossa vontade.
Desejos, vão.
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
no centro do mundo
saio pela rua e sinto o cheiro morno da vida. rolam pelas calçadas minhas saudades
e as dos meus conterrâneos.
penso que somente assim se explica o esgoto que insiste em
circular pelas vielas estreitas.
Suporta-se o cheiro insuportável por conta dos sentimentos.
Na mesa do bar central eu encontro poetas apaixonados, cineastas surtados, mulheres encantadas.
São todos peças do meu xadrez. Recito poemas e invejo seu autor. Desejo superá-lo quando os recito.
Mais um copo, por favor....
e a vida se engana.
e eu mando uma mensagem de amor, e eu falo sinceramente do superficial.
sinto-me turista em casa, no telhado colonial que me abriga.
chove no frontal e o central entope de gente. vou junto.
mais um copo, por favor.....
meu tempo passa junto com o dos outros. mas no íntimo acredito que para todos, no íntimo de cada um, o tempo é um referencial inútil.
pra que o tempo quando se busca a vida?
pra que a vida quando o tempo se mostra?
e se mostra, pra quê?????
e as dos meus conterrâneos.
penso que somente assim se explica o esgoto que insiste em
circular pelas vielas estreitas.
Suporta-se o cheiro insuportável por conta dos sentimentos.
Na mesa do bar central eu encontro poetas apaixonados, cineastas surtados, mulheres encantadas.
São todos peças do meu xadrez. Recito poemas e invejo seu autor. Desejo superá-lo quando os recito.
Mais um copo, por favor....
e a vida se engana.
e eu mando uma mensagem de amor, e eu falo sinceramente do superficial.
sinto-me turista em casa, no telhado colonial que me abriga.
chove no frontal e o central entope de gente. vou junto.
mais um copo, por favor.....
meu tempo passa junto com o dos outros. mas no íntimo acredito que para todos, no íntimo de cada um, o tempo é um referencial inútil.
pra que o tempo quando se busca a vida?
pra que a vida quando o tempo se mostra?
e se mostra, pra quê?????
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