quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

De bom humor



Acordo de bom humor.
Sei, sei sei...
Isso é um defeito inaceitável.
Mal abro os olhos, corro pra ver o sol, a chuva, fazer um café, dar bom dia ao cachorro, colocar água nas plantas.
Sou Insuportável.... ligo o som. Tom jobim de preferência, combina com o ar da manhã...
E não é só isso, acredite. Sou bem pior do que se possa imaginar. Ponho a mesa do café da manhã, faço tudo “comme Il faut”...
Fico à espreita. Quando o primeiro acorda, coitado!
- Bom dia! Que dia massa! Quer tomar café? Tem geleia na mesa, fiz um bolo. Prefere um ovinho???
Chego a ser politicamente incorreta. Meu bom humor quer modificar o mau humor do outro. Isso é invasão de privacidade.
Ai a pessoa me olha de rabo de olho, esfrega a mão no rosto pra não dizer que tou sendo demais. Mas o corpo fala.
E quer saber? Nesta hora já estou pensando no que vou fazer pro almoço. Hoje em dia eu fecho a boca, mas a vontade que dá é emendar:
- Pensei em fazer pro almoço tal prato. O que tu acha?
...
Silêncio do outro lado...
Mas, mesmo assim, fico maquinando.
O pobre desiste de mim, volta pro silêncio da cama.
E eu fico ouvindo o barulho da minha cabeça.
Outro dia ele me disse: "Teu bom humor me deixa de mau humor".
Então ta.
Li Polyanna. E Polyanna Moça.
Acho que o problema é esse.
O teu mau humor reforça o meu bom humor.
BOM DIAAAAAAAAA!!!!!!!!!!

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Só a sogra salva!




Tinha um baby doll na mala dele.
Não. Tinha um baby doll na bolsa da roupa suja.
Bege, mangas compridas, calças compridas, muito, muito maior do que eu. A defunta era maior,talvez mais nova, mais bonita, mais bem humorada....
Mas o baby doll era de nylon, sem estilo.
Pastel. não era roupa de amante.... quem sabe?
Era bem conservado, mas não era novo. Gola de renda, decote canoa. Definitivamente, não era um fetiche. Meio antigo...
Guardei na gaveta. Mas não esqueci dele.
Horas depois, botei pra lavar. Intrigada...
Num rompante, tirei do cesto de roupa suja e vesti. As pernas da calça passavam um palmo. Nos braços, as mãos sumiam. Na cintura, ameaçava cair. Imagina a cena! Praticamente um espantalho.
E pensava: "Que cara de pau! Passar 3 meses fora e trazer um baby doll alheio na roupa suja!"
Guentei não.
Cheguei na sala, me coloquei na frente da estante, fiz pose de modelo e perguntei:
- Que roupa é essa????
Era aniversário de casamento, ainda por cima.... muito sem noção!
- Que roupa?
Ele falou sem nem olhar pra mim.
- Esta que eu estou vestindo!!
Respondi ainda mais arretada, já querendo pular no pescoço dele.
- Não é sua?
Ele finalmente olha de relance, achando estranho. Riu pelo canto da boca.Eu devia estar patética.
- MINHA????? Estava na SUA roupa suja!!!! É sua por acaso?
- Claro que não. Não sei que roupa é essa.
- E quem sabe, meu filho? Fala logo que é melhor!
Discórdia instalada, ele tentando montar uma prateleira.
- Vai! diz! e ainda faz essa cara de paisagem!
O suor escorria pelo esforço, martelo, prego... e eu insistindo:
- Vai, fala de uma vez! Sou besta não!
A batida surda do martelo no prego respondia. Ele batia com mais força.
A esta altura, meu pé estava batendo no chão e as mãos já na cintura.
A campainha toca.
Era a minha sogra. Queria saber se a gente tinha um band aid.
Olha pra mim e dispara:
- Minha filha o que você está fazendo com o pijama que eu mandei pra minha prima em Brasília??? É grande demais pra você!
Ele tinha esquecido de entregar. Nem se lembrou que tinha uma prima por lá.
Salvo pelo gongo. Salvo pela mãe. Salva pela sogra.
Devolvi o pijama pra minha sogra.
Só faltaram as pantufas.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Feliz 2012


Antes que o ano acabe,
E sem que eu perceba, o sol nasça no ano seguinte.
E sem que eu saiba, ele se ponha convidando a lua.
E a lua nova me venha misteriosa, acalentar minhas noites intranquilas,
Preciso dizer que todo o dito é nada diante do que se sente.
Que quando ponho minhas palavras na mesa, elas são adestradas
E que palavra nenhuma manda no peito
E que todo discurso bem feito é fichinha
Diante da verdade.

Antes que comece o novo ano, que já chega velhinho,
Quero dizer que amor não morre,
E que, o dito pelo não dito,
o que se faz é transformar.
Espero que um dia a dor do peito se transforme em luz,
A sensação de solidão se transforme em solidariedade,
E o sol siga seu curso lento,
A lua inspire os noturnos, embale os meninos.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Poesia pra que mesmo???

Que tipo de gente é essa que ainda encontra graça nisso?
Rima com o que? Com que tempo, com que vida?
Que mundo mesmo você vive? Lendo poesia no aeroporto, na cama antes de dormir... lembrando dos poemas que leu há tanto tempo... ressignificando, reelaborando, buscando sentido no que outros escreveram.
Seria este tipo de gente medíocre, dependente da criação alheia? Intérprete do nada.
Poesia que enche os pulmões, que alivia ou amplia as dores, que reforça os amores.
Pura poesia.
Poesia pura.
Aí o dia começa e você tem um verso na mente. Um verso alheio, que fala mais de você mesmo do que qualquer um pudesse fazer.
Um alheio, falando do seu segredo.
Enquanto lê os versos, abre seus segredos pro autor. Seria este autor um voyer, um programa invasor de sentimentos, talvez.
Versos só existem quando lidos. Só andam, engordam, se multiplicam, quando manipulados, em livros, em mentes, em teclas.
E então, me responda: porque tanta poesia num mundo tão quadrado?
Uma guerrilha poética, uma guerra rimada, uma militância aguerrida em palavras.
Ardo em poesia. Vejo poesia em prosa.
Mas pra que mesmo, hein?

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Relicário




Móveis antigos não contam histórias.... Tem gente que pensa assim.
Eu não. Tanto que eu vivia no pé da máquina de costura Singer da minha avó.
Olhava aquela agulha que ia e vinha, movida pelo pé da minha costureira particular.
Na minha cabeça, a boca da maquina (a agulha) dublava as histórias que a minha avó contava, que nem nos filmes da sessão da tarde.
Ela ia falando e eu ia olhando ali pra máquina que engolia pano. Ás vezes minha avó parava de usar a máquina, fazia qualquer coisa à mão, e eu achava que perdia a graça.
Minha avó se assustava, porque todos os netos corriam, brincavam, ia pra rua, caiam da bicicleta... e eu, pra ela, era uma menina quietinha, sempre à beira da máquina, esperando a hora de provar o novo modelo.
“Roupa nova de dono velho”, ela dizia, reformando as roupas das minhas tias pra mim.
Que nada! Eu ficava ali dando nome àquela engrenagem. Às vezes, era minha avó mesmo. Podia ser também a bruxa da Branca de Neve. Pensava também que a “boca da máquina” era mágica, era feiticeira. Entrava linha, saía uma roupa linda. E num é que era mesmo? Minha avó era a manipuladora daquele objeto mutante. E quem queria saber de bicicleta depois disso tudo? Nem de televisão. Mais nem de rádio!!!
Minha avó contava as histórias de quando era menina, que mandava lavar as roupas em Paris, de navio.... e eu ia junto.
A máquina ia conversando comigo.
No final, sempre tinha um vestidinho novo de presente, uma blusa com um babadinho....
Talvez por isso, pra guardar esta lembrança, eu adore móveis antigos e tenha pedido aos meus irmãos justamente a máquina de costura da minha avó como herança.
Ninguém se opôs.
Não sei pregar um botão.
A máquina, coitada, fechou a boca, enferrujou. O pé de ferro ainda é lindo.
Ah se aquela máquina falasse.....

terça-feira, 18 de outubro de 2011

sem título 2, 2011

Tem um texto na ponta da minha cabeça, como se fosse na ponta da língua.
Ele vem, chega, insinua sua presença e depois, engraçadinho, vai embora.
E eu começo: “despertador de sol, levantador de lua”...
E o texto nada me diz.
Apago.
E eu continuo insistindo neste vício de me fazer entender.
“o moço segue pelo caminho denso”.
Palavras escolhidas, lindas...sem sentido. Caminho denso de que?
Floresta Amazônica, talvez..... chão de massapé molhado, mangue...
A conclusão é simples.
Não há nada a dizer. Por isso, nada que escrevo parece ter sentido.
Não é, tampouco, crise de criatividade.
Estou seca. Vazia.
O mundo girando numa velocidade de fórmula 1.
E eu parada, pareço um personagem dos desenhos animados mangai.
Queria palavras dispersas, descuidadas, pequenas, sem compromisso.
Queria imagens que me remetessem a um mundo inventivo.
Estou à beira de mim mesma, prestes a estabelecer contato.

domingo, 2 de outubro de 2011

Outubro


Outubro sempre chega com bons ventos pra mim.
Ares de renovação.
Pelo menos desde que ele me chegou feito um presente.
Um presente desejado, amado... um tesouro.
Outubro.
A palavra me soava dura, forte, austera. Achava abril, maio e junho meses mais simpáticos, confesso.
Me pareciam severos os meses do fim do ano, acumulando o cansaço de todo um ciclo, obstáculos antes das férias. E tudo terminava em BRO.... Setembro, outubro, novembro.... Outubro.
Antes dele, outubro me lembrava outono, folhas secas, tons pasteis. Outubro.
Vi nascerem flores entre suas vogais, adornando e colorindo meus dias. Ele era promessa de novembro.
Mas outubro o quis.
E assim, dia 11, chegou.
Me trouxe de presente o maior amor do mundo. Me veio como uma bênção, uma grande escola de vida, uma dádiva.
Outubro virou poesia.
E desde então, há 17 anos meu ritual se repete.
Chegou outubro, já estou te esperando.
No dia 11 você se renova.
E foi assim que eu virei mãe.

Horizonte

 Pausar.  Simples e necessário! Tempo restaurador. Arrumar as gavetas da cabeça, acariciar a alma, alentar as dores, afagar os prazeres. Fec...