Maioridade
Faça um quadro, sugira um brinde, leia um verso.
Busque no peito, no pé, na garganta.
Guarde na cabeça, amarre um cordão no dedo.
Encontre a saída longe das portas.
Faça o que você achar que deve pra ser feliz.
Fuja do comum.
Vire o mundo pelo avesso.
Construa um mundo melhor.
Mas não me aguente em nenhum segundo que seja.
Não gratuitamente, não por mera rotina.
Escreva seu verso, monte seu livro, abra seus caminhos.
Se couber, me coloque neles.
Mas não me suporte nem por um piscar de olhos.
Se encaixar na sua vida, me ame.
Se não, ame o nosso passado.
Não quero ser uma instituição.
Quero tão somente e pra sempre ser sua mulher.
sexta-feira, 13 de abril de 2012
terça-feira, 10 de abril de 2012
Balanço
Mais rede, menos rede.
Mais sentimento, menos sentimento.
Mais paixão, menos paixão.
Mais certeza, menos certeza.
Menos tristeza.
Mais luz.
Menos agonia.
Mais paz.
Menos egoísmo.
Mais plenitude.
Menos regras.
Tudo que a vida der.
Tudo o que não der.
Mais piano. Mais piano.
Mais praia, mais campo.
Mais almoço com irmãos.
Mais risos com meus filhos.
Mais amor. Mais amor. Mais amor.
Menos lógica.
Menos métrica.
Menos rima.
Mais poesia.
Mais poesia.
Mais vida depois dos 40....
segunda-feira, 26 de março de 2012
à covardia. e ao amor.
Esta é a história da covardia e do amor.
Ou da coragem de seguir admitindo que não ama. É preciso ter
força pra isso. Todo dia se olhar no espelho e dizer: não amo mais. E ao mesmo
tempo impor-se a sansão à felicidade.
Sair daquele banho e dar bom dia, beijo de café, e rir, e
acreditar que a reforma no banheiro, ou a viagem internacional, ou qualquer
outro pretexto possa um dia trazer um gostinho de amor.
Todos acreditam na felicidade do casal padrão. Eles vestiam
o personagem. Ele é que de vez em quando pensava em tirar a fantasia. Por isso,
foi procurar ajuda.
Ia duas vezes por semana à terapia. No começo lhe parecia
outro gesto de pura covardia. Pagar pra dizer tudo o que não tinha coragem de
fazer na vida inteira. E lá se iam 20 anos entre namoro, brigas, noivado,
rompimentos, casamento, desencanto, nascimento da filha...
40 minutos pra desaguar. Falava e se ouvia. E quanto mais
fala, mais escutava as palavras com propriedade. Até que um dia a palavra
mandava nele. Saía sozinha. Não podia mais evitar.
Em casa, no banho matinal, passou a trancar a porta. Não se
olhava mais no espelho. Um dia quase vomitou todas as palavras do consultório
junto com a granola e o iogurte de aveia.
Travou a boca. Saiu com pressa. Ela não entendeu nada.
Aliás, ela era uma ostra. Nunca tinha entendido nada mesmo.
Ele achava, no começo, muito justo. Porque lá no fundo sempre se culpou por não
amá-la como amou a outra, a que veio antes dela, o amor proibido. Por isso, ao
em vez de amar, se desdobrava.
Cuidava dela pra substituir seus devaneios que nunca
passavam. Nunca. Nem mesmo ele fechando a cara nas festas de família, nem mesmo
quando a outra casou, nem mesmo quando ela decidiu ir morar longe. Ele agredia
o passado, mas não se desfazia dele. Desmatava as florestas da sua história e
não arrancava as raízes.
Então, era a lei da compensação. No casamento ele tratava
bem, fazia supermercado, era gentil, gentil até o último dos limites. Aliás,
ele não tinha limites.
E ela aqueles anos todos nunca tinha perdoado o fato de ele
ter tido um amor maior. Então, foram levado aquele equilíbrio denso, pesado.
Ele a levava no trabalho, buscava, fazia feira, ia à lavandeira, ficava nas
filas dos bancos, acordava de noite pra trocar a menina.
Ela dormia mais, tinha uma dor nas costas crônica, não
gostava de música alta, pedia pra ele amarrar o sapato dela “por favor, meu
amor”.
Perdão só vem com penitência.
Por isso, naquele dia aproveitou os 40 minutos pra desistir.
bateu a porta atrás de si e abandonou a ideia de qualquer mudança de vida.
Entrou naquele consultório tentando diminuir a dor, mas ela só aumentava, como
uma bola de encher. Se explodisse, onde iam residir os medos, as dores, os
impulsos, os desesperos?
Entrou em casa e fez
um super jantar. Mesa com velas, taças de cristal. Mimou a mulher, abriu um
vinho.
E quando ela perguntou o que comemoravam, ele respondeu: um
brinde ao amor e pensou ao mesmo tempo: “e à covardia”.
FIM
quinta-feira, 8 de março de 2012
PAREIAS
Iguais na diferença. A ideia é essa mesmo.
Sonho com o dia em que não mais precise lembrar do massacre das operárias queimadas vivas em uma fábrica por exigirem condições humanas de vida.
Sonho com o dia em que delegacias genéricas atendam às mulheres com o mesmo preparo e respeito.
Sou mulher. E não quero ser igual aos homens. Não no que me faz tão especial, tão diferente.
Gosto da minha subjetividade, gosto da afinidade que tenho com a mãe natureza, imitando seu ciclo, suas estações, suas luas.
Tenho meu ciclo, tenho meu humor e as minhas primaveras.
Eles e elas são especiais. Na sua natureza mais primitiva o são.
Na completude da força física e da força vital.
Mas, por isso mesmo, quero ser pareia.
Civilmente igual. Socialmente igual.
Cansei de estar em ascensão. Já chega.
É hora de humanos se tratarem como iguais.
Por isso (e me desculpem os que entendem mais sobre o assunto),
Meu grande sonho é que não se comemore mais o dia da mulher.
Este dia de luta, de grito, de alerta.
Pronto. Falei.
Até lá, a TODAS E TODOS,
Pensamentos iguais ou diferentes,
Convergentes ou divergentes,
Até que possamos nos superar,
FELIZ DIA DA MULHER!!!!!
sexta-feira, 2 de março de 2012
Férias pra inspiração
Inspire, expire.
Tente outra vez, sinta seu pulmão abrindo, como pequenas bolinhas de soprar.
Não, isso não é um exame médico. É um suspiro.
Suspiro de quem busca a inspiração.
Oxigene a sua mente, inspire. E talvez o oxigênio chegue com uma ideia nova, um causo, um conto, uma melodia, uma invenção qualquer.
Senão, tente denovo.
Pior ainda é quando temos a sensação de que a ideia entrou mas não foi direto pros neurônios. Ela deve estar passeando, surfando nas correntes que irrigam o corpo. De vem em quando, sinto o cheiro dela. Aguardo pacientemente que a tal ideia chegue onde deveria estar.
E nada.
Melhor bater claras, misturar com açúcar e fazer um suspiro.
Quando estiver no forno, inspire lentamente. O cheiro do doce vai invadir os pulmões, com um oxigênio renovado.
Coma quente, queimando os dedos.
Sem guardanapo, sem parcimônia.
Esqueça que precisa ter uma boa ideia.
Aí ela vem mansinha, quentinha, como um suspiro…
Inspire, aliviado.....
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
Evoé!!
Quase todo ano eu resisto.
Este ano vou fazer diferente. Vou aproveitar meus dias pra ler, pra descansar.
Aí, como um vírus, ele chega. Os primeiros sintomas vão se pronunciando. Lá de longe se ouve um clarim. Me pego batendo um ritmo na mesa do almoço. Resisto, titubeando. Já é quase um passo....
No bar do lado de casa uma orquestra comemora o dia do frevo. Vou lá somente pra olhar, como se fosse mera turista.
Volto pra casa, subo no maleiro, tiro as sacolas das fantasias, experimento tudo ainda com cheiro de guardado, os meninos também entram na onda.
Lascou.
O meu carnaval chegou, trouxe o espírito carnavalesco com um sopro:
O do Clarim...
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
Luto mutante
Agora é outro parto.
Não de parir, mas de partir.
Deixar partir, crescer.
Se desvencilhar da placenta imaginária que eu criei.
O parto é dele, as dores são minhas.
Tenho orgulho deste abandono.
Que vá no caminho que quer.
Que queira algum caminho.
Que siga feliz.
Quem aprende agora sou eu.
A confiar.
Esperar suas visitas inesperadas,
Ser pilar para os dias difíceis.
Decorar este novo papel
E deixar fluir o protagonista da nova história.
Nesta, sou coadjuvante.
Meu luto não é triste. É mutante.
É o luto das mães.
Difícil é aprender a ser denovo. Sem pretexto.
E aprender a conjugar tudo no presente do indicativo.
Definitivamente, eles não gostam do pretérito imperfeito.
Não de parir, mas de partir.
Deixar partir, crescer.
Se desvencilhar da placenta imaginária que eu criei.
O parto é dele, as dores são minhas.
Tenho orgulho deste abandono.
Que vá no caminho que quer.
Que queira algum caminho.
Que siga feliz.
Quem aprende agora sou eu.
A confiar.
Esperar suas visitas inesperadas,
Ser pilar para os dias difíceis.
Decorar este novo papel
E deixar fluir o protagonista da nova história.
Nesta, sou coadjuvante.
Meu luto não é triste. É mutante.
É o luto das mães.
Difícil é aprender a ser denovo. Sem pretexto.
E aprender a conjugar tudo no presente do indicativo.
Definitivamente, eles não gostam do pretérito imperfeito.
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