Eu sou uma pessoa entre Olinda e
Recife. Nasci no Recife. Vivi em Olinda. Casei no Recife. Me apaixonei em
Olinda.Tive meus filhos no Recife. Mostrei a eles o carnaval de Olinda. Fiz
jornalismo no Recife. Meu primeiro emprego foi em Olinda. Recifense de
documento. Olindense de coração. Amo as duas.
A imagem que unia as duas cidades
na minha meninice era a torre da fábrica. Vinha de Recife, sabia que estava
chegando em Olinda. Saía de Olinda, era sinal que Recife tava me abraçando.
Um tempo desses acreditei que
poderia trabalhar no meio do caminho. Fazer exatamente o que sempre sonhei no
lugar que mais gostava de ver das duas cidades. Sonhei.
O prédio abandonado seria revitalizado.
O prédio e as pessoas. E eu, personagem desta história. Fiz a loucura de
acreditar. Pedi demissão do emprego em Olinda pra trabalhar entre as duas
cidades. O sonho era uma brincadeira. Um engodo.
Hoje outras paisagens adornam
aquela região e o meu prédio está aos pedaços. Descaso com a história das
cidades.Descaso com as pessoas que acreditaram.
Coloco no Google o nome da
fábrica. As referências vão para um shopping metálico e espelhado que fica à
sua frente e tem o mesmo nome.
Lembra-se imediatamente do templo
de compras. O templo da cultura foi solenemente abandonado. Está fazendo 10
anos que esta fábula se fez. E eu insisto em lembrar a mim mesma e aos outros.
Ainda no Google, fiquei sabendo
que tacaruna pode ser proveniente de "takaré" + "una" -
tacaruna. Etmologicamente tacaré significa "haste curva" e também a
designação de um
tipo de mandioca (talvez uma mandioca curva). Mandioca brava.
tipo de mandioca (talvez uma mandioca curva). Mandioca brava.
Esqueceram o Tupi... e a fábrica
tacaruna não é mais cultural. Não é mais fábrica. É uma ruína.

