quarta-feira, 13 de março de 2013

Hoje é quarta-feira








A cadela labrador que toma conta da academia de ginástica é obesa.
Tem deputado querendo cadastar os viciados em crack do país intero.
O nome dele é Osmar Terra. Ouço assim: Os Mar Terra...
Nem tanto ao mar, nem tanto à terra...
Grande coisa.
A rua da Alegria chora pelo chão uma água fétida.
A rua da Glória vive seus dias inglórios.O tal deputado deveria ir lá conferir.
E daí?
Eu faço ginástica e como queijo de manteiga no café da manhã.
O ventilador nina meu sono.
Um amigo se perde pra sempre embaixo de uma carreta na BR 101.
A vida que se vai e que não volta.
A minha já ta mais pra lá do que pra cá e eu teimo.
Passo a primeira, a segunda e a terceira. 
Confiro o atraso regulamentar de 15 minutos, tou dentro.
Paro nos sinais vermelhos e já vai me abusando esta coisa de andar na linha.

quarta-feira, 6 de março de 2013

O GIGANTE



- Alô?
- Oi mãe. Olha, ta tudo bem.
- Já sei que não.
- É que eu fui assaltado quando desci do ônibus.
- MEU DEUSSS!!!
- Calma, mãe. Tou ligando do telefone do policial.
- O QUE??????
- É que querem que eu vá pra delegacia.
-DELEGACIA???? VOCÊ TA ONDE?
- Na Praça do entroncamento.
- Tou indo praí.
...

É somente um menino, mas quando eu olho mesmo, com mais apuro, vejo a grandeza da sua alma.
Tanto, que às vezes nem da pra ver além.
Menino de olhos naif.

Hoje outro menino com os olhos naif camuflados assaltou o meu.
Roubou, sim, mas antes foi roubado. Teve a vida roubada, teve a infância subtraída e agora tem a alma confiscada pela droga.
Me vejo ao lado do meu filho e quase quero que a mãe do outro chegue pra ficar ao lado do camburão e confortá-lo.
Não quero ouvir aquele choro quase sem propriedade, perdido, sem saber nem direito o que vai acontecer.
Olho pro camburão e vejo um desperdício. Poderia ser um pianista. Um advogado. Um cientista. Um policial.
Mais é um menino assustado e com crise de abstinência. Treme, o coitado. Pede socorro. Diz que precisa de tratamento. Clama.
Quero ir embora daquele lugar o quanto antes. Assino uns papeis.
Peço pra não machucarem o agressor. Pego forte na mão da vítima.
Saio sequelada, machucada.
No caminho, o gigante me consola. Minha lucidez me deixa cega.
Fico feliz de estar ao lado do meu filho numa hora dessas. Deixo ele no conforto da escola. Imagino um jantar pra consolar seus olhos assustados.
Se tem uma coisa que me faz grande é a maternidade. Um dia, quando nada mais existir, não quero ser lembrada. Já estou tatuada no peito dos meus filhos.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Tanta Tinta!







As mãos estavam atoladas de tinta.
O sorriso nem se continha.
Era involuntário. Sistema parassimpático.
O tempo era acessório, passava despercebido, levado pelo vento marítimo de Olinda.
Quem vive no mar não percebe o cheiro do salgado, entranhado, da maresia.
 Ali, no clube que tem o nome do oceano, éramos serem marinhos. Sereia e pescador. Marinheiro e Iara.
A tinta desceu até os pés. Era um baião inocente, amassando o colorido imenso. O balé impreciso foi lapso para o tempo.
Homenagem à vida, ao Pezão, aos olhos dela.
Ninguém se conhecia, ali. Ninguém disse muito prazer.
O mágico acabou sem uma troca de telefone. Sem dizer adeus. Se fosse só aquilo, já seria digno de entrar para o mistério da vida.
Mais eis que se passaram 20 anos.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Ana Luiza




Tenho uma flor rara.
Uma flor de inverno e verão.
Uma flor que nunca fecha.
Um presente maior, de amor.
Uma bonequinha na infância, minha companhia de todas as horas.
Hoje, iguais e diferentes em tantos e tantos caminhos, não sei viver sem sentir seu perfume.
Minha nega, minha caçula, meu norte.
Seu nome eu escolhi.
E nós nos escolhemos.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Carnatal









Eu sempre disse, desde muito cedo. Carnaval é meu natal. 

É quando sinto nas pessoas aquele sentimento de congraçamento que deveria haver no final de ano. é quando qualquer pluma vira uma fantasia imensa, é quando os shoppings se esvaziam e as ruas se enchem, as janelas das casas se abrem.

No natal se enfeitam os prédios. No carnaval, as pessoas. 

Este ano, assim, sem pretensão, minha fantasia se fez. 

O rei momo é o meu papai noel. E ele ontem me deu de presente um bloco inteiro. Uma troça. 

Uma troça de carnaval bateu na minha porta. Bateu na glória. E o meu sonho foi tão sonhado que hoje de manhã os vizinhos estavam me agradecendo pela felicidade que provocamos na rua inteira.

Então, um sonho que se sonha sozinho é só um sonho, como dizia o poeta Pessoa. Mas ontem foi realidade. Sonho sonhado junto. Ou pulado, frevado, delirado...

A troça veio igualzinha como nos meus sonhos. Poesia, mas frevo rasgado. No estandarte, as cores e formas do meu amor. 

Aliás, não existe carnaval sem amor. Muita gente acaba o namoro pra brincar no carnaval. Eu acho que carnaval serve pra celebrar o amor. Nunca gostei de passar carnaval sozinha.

Acho que na vida todo mundo tem que ter um filho, plantar uma árvore e fundar um bloco de carnaval.

Agora sou uma agremiação.


quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Marasmo


Marasmo

Às vezes é até bom....
emoção demais, novidade demais, fazem mal
ao coração.
gosto dos dias em que nada acontece.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Os Jardins Suspensos da Rua da Glória





O rei Nabucodonosor II construiu jardins  suspensos para agradar e consolar sua esposa preferida, Amitis
Jardins que provocaram suspiros, que encantaram tantos amantes e que não por acaso, foram eleitos como uma das sete maravilhas do mundo antigo.
No novo mundo, tantos jardins são construídos em todos os cantos. 
Nenhum tem a força do amor que o meu tem. Em nenhum, o frescor e o afeto que o meu carrega. 
No meu jardim não há grandes construções, mas é uma maravilha. 
As orquídeas estão suspensas, as bromélias dançam no ar. 
De longe juro que é ficção. Parecem enfeitiçadas pelas mãos mágicas de um jardineiro fantástico.
Meu arquiteto fez arte. 
Não são de pedra suas construções. São cabos de aço invisíveis. Fortes laços que seguram as flores frágeis.
Assim como no romance. Assim como no amor.
Meu jardim suspenso não é na Babilônia, mas é uma Glória. A Glória do amor.
Meu arquiteto artista me desenha. As orquídeas nos vêem passar.


Horizonte

 Pausar.  Simples e necessário! Tempo restaurador. Arrumar as gavetas da cabeça, acariciar a alma, alentar as dores, afagar os prazeres. Fec...