Imagine um mundo melhor.
Você não será o primeiro.
Tanta gente ja cantou, pintou, dançou e encenou.
Tantos escreveram, muitos lutaram por um mundo de paz.
Imagine um mundo que fica melhor não com grandes obras, mas com pequenas transformações.
Gestos múltiplos.
Hoje eu fui além da imaginação.
Experiência de cidadania.
Um encontro de pares e ímpares.
Todos, mestres e aprendizes.
Graças!
Por esta cidade na beira do mar que inspira novos ares.
Pelo abraço ao amigo de longa data.
Um cais onde atracar o sonho de todos.
Um porto seguro para um mundo outro.
Meu filho ao meu lado faz coro com Otto.
Uma ode ao Recife sem muros.
Obrigada, estelita!
Meus filhos serão melhores do que eu.
Serão mais críticos, mais livres.
Observo o Recife da minha varanda na Rua da Glória. O vento que bate no rosto conta uma nova história.
#ocupeestelita #resisteestelita #soudorecife
terça-feira, 10 de junho de 2014
segunda-feira, 26 de maio de 2014
Cateterismo
Tem um coágulo poético na minha veia jornalística.
Ou seria tinha um coágulo jornalístico na minha veia poética.
Uma veia artística disfarçada de repórter.
Uma artéria genérica.
Tinha uma pianista recolhida nas teclas do PC.
Ou seria tinha um coágulo jornalístico na minha veia poética.
Uma veia artística disfarçada de repórter.
Uma artéria genérica.
Tinha uma pianista recolhida nas teclas do PC.
segunda-feira, 19 de maio de 2014
Fio da meada.
poema coletivo
Tanto fio, tão pouca comunicação....
tanto fio, tanta poluição
Maior poluição visual que há.
tanto fio e nenhuma mãe.
E nenhuma fia.
tanto fio e nenhum novelo.
tanto fio e nenhum é de cabelo
tanto fio, e todos são fio das puta.
o coletivo de fio é peruca
Uma peruca sem fio....
tanto fio leva ao nó.
sexta-feira, 16 de maio de 2014
sem pontos extra....
Eu não tenho dotz.
Não gosto de shopping.
Não me faz bem fast food.
Tem uma coisa marinando na panela da minha existência.
Um cozido lento, fogo baixo, pouco sal.
O aroma incensando a alma e abrindo os sentidos.
O vapor entra pelos poros enquanto eu mexo devagar o guizado.
E vai impregnando na roupa,
Como uma tatuagem invisível.
Eu não tenho pontos bom clube.
Não acumulo muita coisa.
Mas tem um canto aqui, sem nome,
Espaço infitino.
Lugar onde se maturam os sentidos.
Não guardo sentimentos.
Nem milhas no cartão de crédito.
segunda-feira, 12 de maio de 2014
Pescador de Nuvens
O céu é o mar do sertanejo.
O sem fim.
Cada homem com seu sonho.
De tão poderosos, são deuses.
De tão íntimos, são azuis.
terça-feira, 29 de abril de 2014
No Recife
Moro no Recife. A cidade do poeta sem rosto. A cidade onde Ascenso foi agredido.
Moro no Recife.
A cidade do frevo. A cidade onde o frevo só toca quatro dias no ano...
Recife do saudosismo de Antônio Maria e da minha frustração.
Moro no Recife.
A cidade das águas. Por isso mesmo, o esgoto teima na minha porta. Teima e fede.
Moro no Recife.
Da ciclofaixa de fim de semana, que ignora os trabalhadores ciclistas.
Dos centros culturais pela metade.
Do Teatro do parque abandonado.
O Capibaribe de testemunha.
O poeta sem rosto é a cara do Recife.
sexta-feira, 25 de abril de 2014
O meu Bach
Ele era craqueiro. Ou é.
Não sei se anda perambula por estas
ruas.
Usuário de Crack, para os politicamente corretos.
Pouco
importa.
Foi uma conversa rápida. Importa ainda menos.
A verdade é que eu estava tocando Bach e vi que alguém me
observava através da janela aberta. Eu resistia em parar aquele quebra-cabeça
musical. Bach me dá uma embriaguez. Sua música intermitente, suas notas
insistentes e seguidas, seu som exacerbado. Às vezes é rock. Às vezes é hard.
Uma ausência de pausas.
Tocar Bach me deixa com o torpor parecido ao de uma corrida.
Aquele prazer sem fim que o cansaço não vence.
E por isso mesmo, eu relutava em olhar para a janela. Do
outro lado da grade branca com arabescos coloniais, minha platéia era solitária
e muda.
Enfim quando a curiosidade me venceu, vi um homem devastado.
Chorava. Pedia desculpas por estar ali. E me dizia: a vida é muito dura, mas
ouvir esta música acalma qualquer dor.
Lá no fundo do meu lugar burguês eu achei que ele ia pedir uma
moeda pra interar o almoço. Tantos fazem isso. Mas continuei na conversa. Expliquei
que era Bach. No lugar da moeda, ele me pediu Beethoven, mas eu não tinha
nenhuma obra do mestre na manga.
Toquei ainda uns 10 minutos e meu observador continuou ali
de pé. Se despediu.
Continuei minha brincadeira barroca.
Continuei minha brincadeira barroca.
Um tempo depois ele volta. Não resistiu. Chorou feito
criança. Pediu desculpas de novo. Chorei junto.
Dias depois estava eu na padaria. Quando saí na calçada,
quase fui atropelada por um homem completamente drogado, desfigurado. Ele olhou
pra minha bolsa com gana. Eu era a garantia da lombra seguir firme.
Fixei bem nos olhos dele, me pareciam familiares. E foi
aí que ele desmontou. Ele começou a gritar: é a pianista, pianista!!! Olhou pra
mim, bem mais profundo do que eu olhei pra ele e me disse: você tem o dom.
Eu emudeci. Sorri,
mas ao mesmo tempo queria chorar. Aquele homem tinha tanta sensibilidade que
poderia ser meu parceiro musical. Ou um grande maestro. Ou qualquer coisa que
quisesse na vida.
Ele não se demorou muito. Seguiu no seu caminho alheio e
cambaleante.
Desde então, abrir a janela e tocar piano tem outro
significado.
Este é o meu projeto cultural.
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