quarta-feira, 7 de junho de 2017
Quiprocó
Quero um copo de paz. Uma dose de ausência, uma pitada generosa de alívio.
Quero dias mais longos, com o sol mais morno, com a pele menos ardente.
Quero dois dedos de silêncio.
Quero menos noites insones.
Quero a vida longe da agenda eletrônica que me monitora.
Quando abro os olhos, a vida bate na cara.
Quando enxergo o mundo, dá vontade sair correndo.
Quando me deparo com as ruas, tomo uma lapada de realidade.
Pára tudo, quero descer.
Não quero mais brincar de pega, nem brincar de me esconder.
Quero ser café com leite desta vez.
Cessou.
O jogo sem fim...
sexta-feira, 19 de maio de 2017
eu, transparente.
eu ando muito clarice lispector.
uma clarice ambulante.
perambulando pelas ruas do recife mascate.
tudo em letra minúscula, porque nada é mais importante que nada.
nada é menos revelante que tudo.
eu ando me sentindo tanto!.
às vésperas dos 45 anos, me sinto mais menina do que nunca.
e mais mulher do que sempre.
como se retirasse todo o sumo de uma laranja e bebesse puro, sem água, com seus travos e bagos.
como se comesse a laranja inteira, sentindo suas sutis nuances.
clarice andou pelas ruas que eu ando.
clarice viu meu cenário, já foi minha vizinha, em tempos desencontrados.
ando pelas pedras e buracos da cidade, vejo nos rostos das pessoas um pouco da história.
a rua fala.
os carrinhos de fruta concentrados na praça maciel pinheiro dialogam com os moradores de rua que ali tomam banho.
eu passo transparente por eles.
outro dia estava justamente ali, cheia de sacolas nas mãos, quando um grupo de meninos impregnados de cola passaram por mim. eram uns 15, talvez. eles me atravessaram, passaram por mim e eu era quase uma transparência. eu não tive medo de perder nada. e eles nada quiseram de mim.
virei paisagem.
segunda-feira, 8 de maio de 2017
Maio.
O jasmim florido emprestou para a chuva suas pétalas.
Um instante nada. Aquele nada instante.
Um instante nada. Aquele nada instante.
Não há mais poesia do que no caos.
no abandono.
Mais poesia na flor que caiu,
Mais poesia na chuva que alagou.
no abandono.
Mais poesia na flor que caiu,
Mais poesia na chuva que alagou.
Mais poesia na tristeza, do que tristeza na poesia.
Poesia que passa displicente pelos olhos, que não consegue atingir a pele, que não chega a iluminar a face.
Maio, minha poesia inicial.
Para Katia Fugita.
terça-feira, 18 de abril de 2017
Desistência
Nunca desistir das pessoas, mas priorizar o que vale a pena.
Nunca desistir dos amores profundos, mas insistir em ser feliz.
Nunca desistir do que nos move, mas deixar voar o que não nos pertence.
sexta-feira, 24 de março de 2017
liquidando a Fatura
Cancelei o cartão de crédito.
Pra não viver de véspera, pra aprender a ser hoje o sempre.
Pra não depositar afeto na tarjeta de plástico,
Pra não dividir as pequenas alegrias em 10 vezes sem juros.
Cancelei o cartão de crédito.
Não tenho mais compras virtuais,
Negócios internacionais,
Sonhos impossíveis que o meu limite podia comprar.
Minha felicidade não paga mais juros,
Nem refinancio os momentos.
A minha anuidade sou eu.
A minha fatura é a minha escolha de vida.
A bandeira que eu levanto agora é a que eu acredito.
Viver com o que posso e sou não tem preço.
Pra não viver de véspera, pra aprender a ser hoje o sempre.
Pra não depositar afeto na tarjeta de plástico,
Pra não dividir as pequenas alegrias em 10 vezes sem juros.
Cancelei o cartão de crédito.
Não tenho mais compras virtuais,
Negócios internacionais,
Sonhos impossíveis que o meu limite podia comprar.
Minha felicidade não paga mais juros,
Nem refinancio os momentos.
A minha anuidade sou eu.
A minha fatura é a minha escolha de vida.
A bandeira que eu levanto agora é a que eu acredito.
Viver com o que posso e sou não tem preço.
quarta-feira, 15 de março de 2017
Sororidade
A alma anda pesada. Encharcada. Roupa que se lavou e esqueceu de espremer .
A alma pinga, pendurada num desconfortável varal.
Fica ali, suspensa, chorando até secar.
Tudo é o tempo. Tudo é o vento. Tudo é o sol. E o sereno.
Um murmúrio triste ressoa no peito.
Reclama, resmunga.
A lembrança da vida no vidro.
Ambiente estéril, álcool 70%, e o parto frio.
Um beijo final, cena de dor que a alma absorveu.
sábado, 4 de março de 2017
Maturi
Meu maturi quer cair do pé. E eu digo: cai não, maturi .Espera um pouco mais, aproveita a sombra, a seiva, a certeza do tronco.
Meu maturi quer cair do pé. E eu digo: vai chegar a hora, maturi. Vai chegar o tempo inevitável. E você cai doce, cai pronto.
Meu maturi quer cair do pé. Tá faltando uma peinha de nada....
E o maturi olha o imenso mundo azul, a imensa terra preta.
Cresce, pesa no galho, se enche de orgulho e ensaia o primeiro salto.
A seiva pinga do galho.
Rolou meu maturi.
Nem mais maturi....
Caiu na sombra da sua árvore.
Caiu inchado, caiu quase, quase pronto.
Não é mais maturi.
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