quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Marasmo


Marasmo

Às vezes é até bom....
emoção demais, novidade demais, fazem mal
ao coração.
gosto dos dias em que nada acontece.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Os Jardins Suspensos da Rua da Glória





O rei Nabucodonosor II construiu jardins  suspensos para agradar e consolar sua esposa preferida, Amitis
Jardins que provocaram suspiros, que encantaram tantos amantes e que não por acaso, foram eleitos como uma das sete maravilhas do mundo antigo.
No novo mundo, tantos jardins são construídos em todos os cantos. 
Nenhum tem a força do amor que o meu tem. Em nenhum, o frescor e o afeto que o meu carrega. 
No meu jardim não há grandes construções, mas é uma maravilha. 
As orquídeas estão suspensas, as bromélias dançam no ar. 
De longe juro que é ficção. Parecem enfeitiçadas pelas mãos mágicas de um jardineiro fantástico.
Meu arquiteto fez arte. 
Não são de pedra suas construções. São cabos de aço invisíveis. Fortes laços que seguram as flores frágeis.
Assim como no romance. Assim como no amor.
Meu jardim suspenso não é na Babilônia, mas é uma Glória. A Glória do amor.
Meu arquiteto artista me desenha. As orquídeas nos vêem passar.


segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

MIRÓ





Hoje eu tive vergonha de escrever. Escrever com palavras tão fofinhas e cor de rosa.
E é isso o que a arte faz com a gente. Bate na cara. Escarna e tira as máscaras.
Hoje senti orgulho de ter vergonha de mim.
Na frente de um grande artista, o que se faz?
Presta-se reverência, e pronto.
Fiz um café da manhã pra Miró.
E em troca ele recitou para a nossa família, uns poemas do ventre.
E se ele não tiver ventre, inventou naquele momento.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Pianíssimo


Este reencontro...
Pode ser um sentimento arrebatador, ou uma pétala.
Posso estar desconfiada, ressabiada, sem sequer conseguir tocá-lo.
Posso chorar, rir, dar pulos de alegria ao vê-lo.
Tantos e tantos anos sem compartilhar.
Sinto o coração descompassado. Não há metrônomo que ajuste sua batida.
Tempo composto, o da abstinência.
Allegro. Não.
Allegro com fúria.
E penso que, ao digitar enquanto construo o texto posso simular também tocá-lo.
Posso fazer deste TIC TAC TIC TAC monótono e insosso, um lamento. Uma dança. Um soneto. Uma sonata. Um noturno.
Nada desafinado.
Desafiado.
Numa escala maior, em êxtase. 

Antes, meio tom.
Agora, tom inteiro.
Acorde maior.
E então me permito sonhar. Escrevoescrevoescrevo. Talvez por isso mesmo veja o som em tudo.
Piano é um instrumento de percussão. E nunca bato na mesma tecla. O teclado do computador também é um instrumento. Faço lá minhas composições.
Agora, volto à interpretação. Sentada frente ao teclado branco e preto.
Todas as claves ao alcance, todos os tempos à mão.

(A Francisco Mendonça, por me fazer sonhar)

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Tempo roubado




A ladra sou eu.
Tenho roubado meu tempo
Enganada por ondas de satélite
Envolvida por relações de gelo.
Eu mesma ligo para o seqüestrador do meu tempo.
Tenho a senha, a conexão.
E sou uma refém voluntária,
Sem possibilidade de volta,
Sem resgate para pagar.

Roubo a mim mesma
E o produto deste delito 
Olho no olho,
Afeto de filho,
Frase dita em momento impreciso...
É mercadoria sem volta.

Se posso acessar no meu mundo imaginário quantas vezes quiser o momento passado,
Na vida real perco o link.
Não resgato o endereço IP.
O mote passou e não foi gravado, ninguém curtiu.

Visito o site da prisão pra ver se alguém está me vendo. 
Estou na sala de estar, sentada na poltrona
alheia à vida real.
 
 Fiquei sem comentário.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Denovo, a tempestade



Faz dias que escrevo, escrevo e apago.
Há excesso de idéias.
Sentimentos excedentes.
O vento da minha cabeça se encarregou de misturar tudo.
Então, quando acredito em uma bonanza, corro pra escrever.
Tento, tento.
Que nada! 
A ventania é mais forte do que eu.
Volta implacável, me arrebata em meio a um furacão.
Eu trovejo de idéias.
Tudo é levado pelo vento.
Aguardo a direção mudar e me devolver os pensamentos, quiça, mais precisos.
Talvez venham arejados por ideias alheias.
Meu tempo, tempo meu.
E aí, quando o relâmpago tudo esclarecer, estarei novamente pronta.
Só não sei pra que.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

O sobrado das três janelas: A casa da minha avó



Manoel Bandeira dizia em um lindo poema sobre o Recife: : "A casa do meu avô… / Nunca pensei que ela acabasse!".
Lembro do sobrado avarandado em Casa Forte. Vila Deolinda....
O portão imenso para meus olhinhos tão meninos. Eu entrava pela cozinha . Morena me recebia com um doce, um mimo qualquer. Lurdes sempre a sorrir. Lá longe estava vovó. De braços abertos, carinho sem fim aquele.
Vovô Bento ficava na mesa imensa, sentado num banco de madeira alto.Se lembro dele, lembro de bolacha salgada de padaria, aquelas redondinhas... Eu sentava junto e comia. Ele ria solto!
Mas antes, no quarto que tinha uma porta defronte da cozinha, eu parava pra ouvir Maria Betânia, Caetano Veloso, Gilberto Gil com Bentinho. Eu adorava ler tudo que estava escrito nos encartes dos vinis. Ali ele era apenas meu padrinho.Eu não entendia o que isso significava... Era um amigo, quase igual a mim, mas que conhecia todas as canções do mundo! Muito tempo depois, sim, ele ocupou o seu espaço.
Na varanda, em frente à mesa do Vovô, ficava a cadeira de balanço de Vovó Isaura. Ela sempre olhava minha roupinha (Tia Zezé era minha costureira particular!) e batia nota, fazia um comentário. Às vezes me contava uma história.
Eu lembro de uma cama que Fafá tinha, que era mágica! De dia era um móvel, uma estante, de noite virava cama mesmo.
Um pouco antes de partir Vovó me contou que eu tinha um berço ao lado da cama dela. E que eu chorava a noite inteira, que acordava a casa toda... Talvez por isso em meus sonhos até hoje aquela casa é tão presente. Lembro do piso, da distribuição dos cômodos, lembro também da grade do alpendre que abraçava uma parte da casa.
Pois quando vovó me falou, foi como se eu lembrasse, lá naquela memória antiga, desbotada, estes primeiros lampejos de amor. Entendi então que o amor é sensorial. Independe de memória ou de lembrança. Ele simplesmente É. 
Tem laços que nascem do sangue. Outros, são fruto do próprio amor. Cresci sob a grandiosa árvore de amor e generosidade cultivada por Vovó Consy. Sou neta do seu amor incondicional. Ela se foi. E sua herança é o exemplo. A eternidade é o laço de afeto. O céu ganhou minha avó. Mas eu jamais a perderei. Faz parte de mim.

Horizonte

 Pausar.  Simples e necessário! Tempo restaurador. Arrumar as gavetas da cabeça, acariciar a alma, alentar as dores, afagar os prazeres. Fec...