Tirei logo cedinho o peixe do congelador.
Não sabia ainda como preparar, mas deixei as ideias
marinando até as postas chegarem na temperatura ambiente.
Espremi um limão na pescada amarela e deixei descansar.
A casa quieta.
Uma quarta-feira morna.
Desmarquei alguns compromissos.
Quem estava de molho era eu.
Pensei em ir ao salão, fazer as unhas pra
entrevista marcada às 15h. Mas desisti. Vou assim mesmo do jeitinho que estou.
A casa cada vez maior.
No quarto, meu filho ainda dormia.
Meu filho luz.
Luís.
Ele é o caçula que eu aprendo a enxergar adulto.
Acorda, faço um café e a gente fica ali, enrolando o tempo
entre um gole e outro, conversando.
Abro a geladeira e vou tirando cebola, tomate, pimentão.
Coloco na bancada óleo de dendê (ousada para quem ainda vai
enfrentar a quinta e a sexta...)
Azeite
A tábua de madeira
A faca preferida
E vou montando o peixe.
Abro a geladeira novamente buscando o coentro, que tinha
esquecido.
Vou acomodando tudo na panela que esquenta em fogo brando.
As postas de peixe ficam entre os legumes.
Gosto do cheiro que vai subindo desta mistura.
Levanta a fervura e eu tampo.
Luís pega o prato, se serve de arroz e peixe, rega com o
molho alaranjado.
Um abraço que me destemperou.
E me fez marinar os olhos.
Tanta coisa naquele abraço! Ali no meio da cozinha me senti que nem uma
chaleira em ebulição. Entendi que palavras não seriam ingredientes do almoço.
A casa ficou pequena pra mim.
O amor estava no peixe, no arroz, no dendê em plena
quarta-feira.
Estava no silêncio, na conversa mais cedo.
É tudo um abraço só.
E ainda é quarta-feira.
4 comentários:
é muita lindeza, amiga. a gente se emociona daqui. pra valer.e senti isso aí tudinho. e está sentindo tudo isso aí. aqui. <3 beijos no coração.
ah, amiga!!!!! muito grata!!!! vamos juntas <3
Chorei, mulher❤️
querida!!!! que bom que vc sentiu o que eu senti!!! a escrita tem sido este elo... este laço potente!
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